Representante de uma média sofisticada de congressista fisiológico, o senador por Alagoas escapa da forca pela cumplicidade daqueles que o julgam. Espelho, espelho meu diriam os “nobres senadores”.

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Para alegria dos que defendem a tal governabilidade, para satisfação e regozijo dos mecanismos antidemocráticos, Renan acaba de safar do primeiro dos quatro processos de cassação. 40 votos pela absolvição, 35 pedindo sua cabeça e 6 abstenções. Mais uma vez o regimento interno protege o infrator, triplicando as chances de sobrevivência do representante delinqüente perante o representado.

Do ponto de vista analítico, é perfeito. A “esquerda” torna-se direita por duas vezes. Primeiro, ao assumir a parcela de poder sem o mínimo de acúmulo para o exercício deste mesmo poder. Segundo, ao deitar a oposição na legalidade jacobina, fruto de racha e reforço nas crenças no mesmo sistema político iniciado por Golbery do Couto e Silva.

Renan Calheiros é mais um senador da república, tão senador como a maioria de seus pares. Heloísa Helena fora a exceção que afirma a regra. Renan faz escola e implica escolhas. Tião Viana, veterano dos empates acreanos que o diga. O governo jogou duro, blindando Lula e mandando para o front a dona Ideli e o nobre Mercadante.

No fundo d’alma, a vitória foi de uma forma de fazer política. Renan não é o único, Renan é o perfil da maioria da Câmara Alta. A UDN e o PSD pós-modernos jogam no mesmo time e rezam para os mesmos santos.

Duas vitórias simultâneas. A direita de sempre, que incorpora para si a “nova direita”. E, da democracia participativa, que comprova nos fatos da outra democracia, que esta suposta “democracia” não serve para quase nada e quase ninguém.

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