Quando ainda eram aliados, os camaradas de armas e então parceiros na política, Chávez e Baduel, ex-comandado e comandante que inverteram seus papéis.  - Foto:
Quando ainda eram aliados, os camaradas de armas e então parceiros na política, Chávez e Baduel, ex-comandado e comandante que inverteram seus papéis.
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O alemão radicado no México Heinz Dieterich é um dos intelectuais mais comprometidos da América Latina atualmente. Como quase sempre acontece, um dos poucos acadêmicos de origem européia que hoje valem a pena ler, é bem pouco conhecido no Brasil. No que diz respeito à Venezuela, Dieterich está a par das entranhas das disputas internas ao projeto do governo Chávez.

Especificamente, aponta uma análise interessante da crise entre o tenente-coronel e presidente Hugo Frias e seu ex-Ministro de Defesa (até julho do corrente ano), o general Pqd Raúl Isaías Baduel.

Em dois artigos publicados no Portal Rebelión, Dieterich defende e expõe o posicionamento de Baduel pelo voto NO para a Reforma Constitucional que se acerca. Segundo o professor da UNAM, os motivos do homem de confiança do governo dentro das FFAA, resistente ao Golpe de 2002, seriam:

– O escasso vigor no combate à corrupção; o desenvolvimento inflacionário da economia; o uso discricionário dos recursos advindos através da Pdvsa; e a carência de definição institucional para o projeto de socialismo para o século XXI.

Interessante notar como a crítica institucional vem de dentro da umas das instituições que mais deram suporte ao regime e mandato de Chávez. A ausência de institucionalidade é um pesadelo na cabeça de legalistas republicanos e defensores do poder popular.

O que está em jogo na Venezuela supera as expectativas do processo interno do país e arrisca a integração sul-sul da América Latina. Baduel aponta para o centro embora sua declaração tenha incendiado os distintos setores da oposição. Ou Chávez ultrapassa os 60% de votos pelo SÍ, ou terá de convocar novas eleições e obrigatoriamente chamar o seu ex-braço direito de volta.

Entendo que esta seria uma saída pela institucionalidade estatista do processo. No tabuleiro de possibilidades, a polarização da direita oligárquica levaria ao presidente Chávez a rever sua intempestividade. Ou então afundar-se em seu próprio labirinto. Afinal, nunca faltam arrivistas de plantão operando como conselheiros que só repetem a última idéia do supostamente aconselhado.

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