Rindo à toa, o phd em financeirização da economia real, o boss John Briscoe se diverte ao aplicar seu receituário na Índia. Daqui há alguns anos, teremos triste memória desse momento (a)fundacional.
Foto:Na última quinta, às 9:33 o incansável João Pedro Casarotto, dirigente do Sintaf-RS me envia uma outra comunicação a respeito do acordo com o Banco Mundial. O comentário que eu iria tecer já o fiz, antes mesmo de receber a Nota abaixo. Explico. No último boletim eletrônico do ano, o referente ao mês de dezembro, escrevi uma breve análise da conjuntura do pago. Centrei o fogo nos financistas de estrela vermelha, os artífices do acórdão com o Bird, cujos meandros, de forma brilhante, nosso amigo João Pedro nos oferece logo abaixo. Vamos à leitura, retorno, ao final.
“É esclarecedora a entrevista concedida ao jornalista João Guedes (JC, 18/12/07,pág.9- Bird tem pressa para finalizar empréstimo) pelo Presidente do Banco Mundial para o Brasil, John Briscoe, responsável pela intermediação entre os técnicos dos governos estadual e federal e os dirigentes do Banco nos EUA nas negociações para a contratação do empréstimo de US$ 1 bi para o RGS.
Briscoe informa que o “time do banco está trabalhando” com as autoridades “para definir os termos de como ficará a dívida e de como serão feitos os ajustes de receitas e despesas” bem como para traçar “um plano para modernização do setor público”. Com isto, fica claro que o contrato do empréstimo perpetuará uma nova equipe de gestão que já está trabalhando antes mesmo da assinatura do contrato. Também fica claro que os nossos governantes não estão conseguindo cumprir a tarefa de governar, pois necessitam de um “time” de uma instituição financeira para ajustar receitas e despesas e modernizar o serviço público. Os servidores públicos RGS, tão reconhecidos por suas altas qualificações, devem estar se sentido uns inúteis.
Briscoe afirma também que o RGS está em um “buraco”; o que está em consonância com as afirmações de outros técnicos da instituição de que o Estado estava falido e que necessitava da aprovação do aumento dos impostos, que foi rejeitado pela Assembléia. Para acentuar esta afirmação, Briscoe contou que em conversas com o governo federal lhe foi dito que quem conseguisse resolver os problemas do RGS ganharia um Prêmio Nobel. Não poderia ser outro o clima entre eles, pois são todos credores vorazes.
Numa clara contestação às afirmativas que o Banco passaria a gerenciar o RGS, afirmou que “O estado é que tem que vir para nós e para o governo federal e dizer “o nosso programa é este”. Aí a gente tem que julgar se isso é realista”. No entanto, estas colocações são contraditórias com outras passagens da entrevista onde afirma que o time do banco está trabalhando “forte e com grande otimismo” na análise dos muitos detalhes do contrato e que o RGS está em um buraco. Neste aspecto Briscoe deixa a impressão de que esta tergiversando, pois mais confundiu do que explicou.
Quanto à questão da certa desvalorização cambial Briscoe é taxativo: “ … cada vez que o banco libera uma parcela, em princípio seriam duas parcelas, cabe ao board escolher se vai fazer em reais ou
Por sua vez, a chamada de capa do jornal é mais do que esclarecedora: “Bird tem pressa em conceder crédito ao Estado”. “Cumé qui é, cumpade”, diria o guasca. Quer dizer que o Estado está em um buraco e quem conseguir resolver o problema será candidato ao Nobel e mesmo assim o Banco está com pressa em emprestar?
Restam evidentes os objetivos do governo do Estado e do Bird: celebrar o contrato!
Bem, pensando friamente, a atitude do Banco até é compreensível, afinal este é o negócio dele e os seus executivos devem ser remunerados pelas metas atingidas, afinal este é o modelo de gestão que tanto apregoam.
Mas o que não se admite é a atitude de nossos governantes. Qual será o motivo que os impulsiona com tanto ardor e dedicação na busca de um empréstimo que, como diz Briscoe, “não é algo preponderante” (comparando com o total da dívida) pelo qual entregarão, como contrapartida, a gerência de todo o orçamento estadual para uma instituição financeira por quase um quarto de século?”
Fica aqui a crítica aos colegas do outro lado do teclado. Sim, porque me equilibro entre a peleia na mídia por fora da grande mídia, a labuta intelectual por terminar a tese de doutorado, a possibilidade de uma pesquisa de pós-doc e as possibilidades de docência entre a comunicação social e a “ciência” política. Resumindo, a Nota de João Pedro revoluciona conceitualmente porque simplesmente trás o jornalismo que deveria ser feito. O Jornal do Comércio da Província de São Pedro tem o dom de fazer press release em lugar de matéria de ponto e contraponto, com texto e contexto. E olha que o veículo do Seu Mércio é o menos pior do rincão. Digo por que sou assinante.
No terceiro parágrafo, João Pedro “vai na couve”. O Prêmio Nobel atribuído pelos neo-Caramurus outrora travestidos de bombachudos nos idos de janeiro e fevereiro de 1999 é algo que beira o ridículo. Credores vorazes, preferem entregar o Rio Grande para a sanha transnacional financiada pela gordura do BNDES a salvar o patrimônio público. Esta correlação de forças, definitivamente, não se soluciona entre as tintas de canetas de ouro de um lado ou d’outro do balcão.
