A obra de Miguel de Cervantes se passa numa região de planícies áridas e imensidões infinitas que de fato parecem mais povoadas por moinhos do que por pessoas.
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A obra de Miguel de Cervantes se passa numa região de planícies áridas e imensidões infinitas que de fato parecem mais povoadas por moinhos do que por pessoas.
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O Brasil, mais precisamente os órgãos responsáveis pelo fomento, divulgação e financiamento da cultura do país poderiam espelhar-se na atitude do governo de Aragão, na Espanha. São eles os responsáveis por gravar, editar e distribuir toda a obra Don Quixote de forma gratuita em formato mp3. Uma obra clássica cujo título original completo era El ingenioso hidalgo Don Quixote de
Essa atitude tem o claro objetivo de difundir a cultura e a produção espanhola. O projeto está na contramão da massificação produzida pelo “modo de vida americano” (American Way of Life) largamente difundido desde a década de 1950. A obra prima está cercada de inúmeras possíveis leituras, que dão luz a campos de estudo na historia, na política, na literatura, na sociologia. As possibilidades de entendimento da conjuntura e das ironias a múltiplos comportamentos e figuras representativas de seu tempo são inesgotáveis. Exatamente o oposto da McDonaldização do mundo onde tudo obrigatoriamente precisa seguir um padrão e estar encaixado em determinado grupo de compreensão pré-estabelecido.
No Brasil é possível também adquirir esta obra, em português e gratuitamente no formato Pdf. Não posso deixar de citar a melhor iniciativa por parte destes órgãos financiadores acima citados, o Domínio Público. Além do clássico de Cervantes é possível baixar textos de Shakespeare e Fernando Pessoa. Uma boa iniciativa, não se pode negar. E como o próprio nome já diz, todas as obras que compõem o acervo são de domínio público, portanto de livre reprodução (desde que citada autoria, é claro).
São iniciativas como essas que me deixam mais esperançosa em relação ao acesso à cultura. Claro que não é aconselhável esperar que elas sejam reincidentes, porque a tendência é oposta e a necessidade é nossa.
Texto de Daniela Soares, editora do trecos&trapos.
