Enquanto este for o mapa dos negócios gerenciados pela Anatel, seguiremos ignorando nossa própria realidade e tudo o que acontece ao redor do Brasil.
– Foto:” alt=”
Enquanto este for o mapa dos negócios gerenciados pela Anatel, seguiremos ignorando nossa própria realidade e tudo o que acontece ao redor do Brasil.
– Foto:” class=”image”> Enquanto este for o mapa dos negócios gerenciados pela Anatel, seguiremos ignorando nossa própria realidade e tudo o que acontece ao redor do Brasil.
Vila Setembrina dos Farrapos de Viamão – Rio Grande – 09 de maio de 2006
Com este artigo, concluímos a breve trilogia sobre a luta pela democracia na comunicação social no Brasil. Buscamos
Iniciamos com um tema “doméstico”. Há cerca de um mês, a revista eletrônica dominical O Fantástico, programa símbolo da Rede Globo assim como o Jornal Nacional, transmitiu para todo o país as mazelas das favelas brasileiras. O foco no documentário produzido pelo rapper MVBill e Celso Athayde eram as favelas do Rio e Grande Rio. É certo que foram narradas e expostas situações em várias periferias de norte a sul do Brasil. De qualquer maneira, as experiências de cotidiano filmadas são vividas diariamente por milhões de brasileiros. Fica a dúvida:
“Se a rotina desses lugares funciona assim há mais de 20 anos, então o porquê do escândalo?”
Dentro da literatura específica variando na mesma temática, ou seja, a situação de ilegalidade plena, atuação das polícias como grupo de extermínio e corrupção sistêmica, já foram escritas várias obras. Uma delas nos chama a atenção pela crueza. Trata-se do livro “Elite da Tropa”, escrito a seis mãos, por Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel. Os dois últimos são oficiais da PM do Rio de Janeiro com longa passagem pelo Batalhão de Operações Especiais (BOPE). Alguns trechos do livro foram narrados como matérias de telejornalismo. Resultado: mais escândalo e um “curioso” espanto da sociedade.
Em ambos os casos, as obras documentais, embora muito bem feitas, de fato, trouxeram pouca ou nenhuma novidade. Resta a pergunta:
“Onde está a mídia brasileira que não reflete nem espelha as dúvidas e agonias das maiorias de nossa sociedade?”
Semana passada, um novo “fato singular” espanta a maioria dos brasileiros. Desta vez, a “novidade” não mora ao lado, mas sim no próprio continente. O presidente eleito da Bolívia, o dirigente cocalero Evo Morales, nacionaliza o petróleo e seus derivados, expropriando as instalações de várias empresas. Obviamente, a mídia nacional chama correndo dezenas de “especialistas” que ciclicamente repetem os chavões de “populismo” e “irresponsabilidade”. O “espanto” sobre a medida do novo governo boliviano simplesmente porque desconhecemos nossos vizinhos, assim como não conhecemos a nós mesmos. A demanda da nacionalização dos hidrocarbonetos já é reiterada há décadas. Desde a fundação do Instrumento Político dos Povos Originais de Bolívia, nome e conceito definidor do MAS, está é uma medida estratégica e cuja pressão popular força o novo executivo a
Mesmo que a TV aberta brasileira não tenha fundos para
Estes mesmos adolescentes, grande parte da audiência cativa da TV por assinatura, que mal arranham um castelhano portenho, cantam e escrevem músicas em inglês. O cabo argentino por exemplo, mesmo sendo concentrador e com uma mídia cujo empresariado é pirata e aventureiro, oferece mais de 100 canais nacionais e com farta cobertura e
Não podemos, até porque não estamos refletidos na televisão e nem no rádio. Novas formas e veículos avançam e a tendência é o padrão digital
Para
Por definição da Anatel e do Ministério das Comunicações, as associações comunitárias de radiodifusão praticam desobediência civil. Embora seja este o enquadramento legal, salvo toda a pirataria e picaretagem, como as rádios vinculadas a igrejas neo-pentecostais e políticos locais, é nas emissoras comunitárias que se encontram a gestação de uma outra forma de
É preciso
Isto porque, tecnicamente, o oligopólio da comunicação no Brasil exerce o chamado domínio de enclave. Entre anúncios de governo e propaganda de sabão em pó, os brasileiros se vêem e ouvem através de um espelho torto que reflete apenas as condições de vida e de comportamento de uns poucos quarteirões do Rio de Janeiro e de São Paulo. Ou alguém conhece uma escola pública com o padrão de estudo, instalações desportivas e mesmo as gírias utilizadas na novela juvenil Malhação?
Precisamos sempre
Ou seja, se R$ 2,00 de cada R$ 10,00 reais gastos com propagada estatal e institucional de autarquias, empresas ou consórcios com participação do Estado – como o consórcio Visanet e os Fundos de Pensão de Servidores – poderíamos nos
Com estas medidas tão simples como duras de serem conquistadas, tudo seria diferente. Dentro de 15anos, operando o padrão brasileiro de Rádio e TV Digital, difundindo um sem número de emissoras de rádio e televisão comunitárias, a mídia poderia não
Se assim fosse, com certeza nunca mais seríamos “surpreendidos” ao nos depararmos com nossas realidades e a de nossos vizinhos.
Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat
