
As eleições de 2008, na cidade de Canoas (RS), tiveram uma guerra de pesquisas no primeiro turno. Os números “diziam” que Jairo Jorge, da coligação Bloco de Oposição Municipal (PT/PP/PSB/PS/PCdoB/PR), não iria para o segundo turno. O favorito no páreo segundo os resultados “científicos” de estimativa da opinião do eleitorado canoense indicava o segundo entre Nedy de Vargas Marques (PMDB) junto com Jurandir Maciel, da coligação Canoas Saudável (PTB/DEM/PRB/PMN). Estes números constam na pesquisa realizada, do Instituto Nacional de Sociologia e Pesquisa, registrada no TRE sob o n° 00345/134/08.
Não é novidade ver pesquisa eleitoral dar errado. Em Canoas foi o que ocorreu quando totalizaram os votos das urnas. O candidato Jairo Jorge, venceu a batalha no primeiro (46,51% dos votos) e no segundo turno com 52,63% dos votos válidos. A vitória foi sobre um dos candidatos de continuidade da gestão Marcos Ronchetti (PSDB).
Jairo acompanhou voto
“Vou fazer um choque de honestidade”, enfatizou Jairo Jorge,
Jairo Jorge é jornalista, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tem 45 anos e foi vereador em Canoas, sua cidade natal, entre 1989 e 1992. Seu mandato foi caracterizado pela intermediação da política representativa com a luta popular. Seu capital político foi o meio de campo, levando as demandas de moradores das vilas e bairros desprivilegiados. Na campanha de 2008, se candidatou para prefeitura escorando a imagem na ligação com o presidente Lula. Seu campo de aliança e apoio reconhece a Tarso Genro, atual ministro da Justiça, como chefe político. Jairo acompanhou o irmão de Adelmo Genro, trabalhando como CC (adjunto) no Conselho de Desenvolvimento Econômico e no Ministério da Educação em 2003. Ainda ocupou o cargo de ministro interino da educação em 2004. Nunca é demais lembrar que ao se candidatar para prefeito, Jairo Jorge se licenciou de uma pró-reitoria da falimentar Ulbra.
A transição
Um encontro com o atual prefeito, Marcos Ronchetti (PSDB), na quarta-feira (29/10/2008) iniciou o processo de transição. Na reunião, Jairo confirma uma reformulação de secretarias e dá a entender um acordo transitório. Declarou “esperar transparência nas contas do município”. Para bom entendedor, meia palavra basta. Se os números vierem entreverados, o entrevero será grande para o maior município até então governado por um aliado de Yeda Crusius. O Piratini deve ter aguardado aflito esta reunião. Não duvidem que os próximos dois meses, até 1º de janeiro de 2009, cada dia será um aumento de pressão entre o candidato a candidato ao Piratini, que somado ao aliado político canoense, pode e deve emparedar o governo que teve nas costas a CPI do Detran-RS. A República de Canoas pode vir a ser o alvo da derrama de Tarso.
Pouco após as 14h, Ronchetti, recebeu o sucessor em seu gabinete e, com portas fechadas, ouviu suas solicitações. Entre os pedidos, estava o fechamento da Agência Municipal de Regulação dos Serviços e Saneamento e demais serviços públicos delegados de Canoas. O prefeito eleito pretende diminuir o número de pastas e criar novos órgãos, como a Controladoria Geral do Município e a Secretaria de Cultura. Não resistimos a um comentário. Pau que dá em Chico não pega
Para garantir que a patrola virá, seguindo o lema da “transparência nas contas do município”, Jairo deverá ainda pedir uma auditoria na prefeitura! Isto pode trazer à tona eventuais provas materiais de desvios de verba, corrupção, superfaturamento e outros fatos políticos que foram fruto de escândalos cometidos durante a administração de Ronchetti. Se a auditoria encontrar o que está procurando, terá a opção da filtragem dos fatos. Caso apareça a carta na manga, a ligação de Rubem Roher e Chico Fraga com Lair Ferst, a bateria eleitoral estará apontada para a residente na Rua Araruama, bairro Três Figueiras da Leal e Valorosa capital gaúcha. Se provas contábeis surgirem, resta saber se Ronchetti vai matar no peito e encarar a ressaca apenas com sua traineira? Caso nada mais contundente seja encontrado, o barulho midiático já terá valido a pena. Há uma desconfiança em relação as contas públicas de Canoas. A prefeitura de Ronchetti anunciou muito em rede estadual e em rádios AM poderosas. E, se Jairo Jorge usar de sua experiência profissional e abrir as planilhas de mídia, novamente teremos ressuscitada a “listinha” que correu à boca pequena durante a CPI do Detran-RS.
O novo prefeito sabe que agora o céu é o limite. Está aberta a porteira para o primeiro escalão da política da província. Após 23 anos de trajetória, governar a mais de 300 mil habitantes não é pouca coisa. A resposta para as dúvidas está na equação: governo municipal + articulação do eixo BR 116/Vale dos Sinos + verba federal abundante visando a 2010. É a chance dos governos petistas de Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Sapiranga não aproveitarem esta oportunidade de construir uma reserva eleitoral na Região Metropolitana. Para cumprir esta meta, tem de entrar o chefe político Tarso Genro, o ministro das Cidades Marcio Fortes (do PP) e Lula em pessoa. Brasília terá de pagar a conta para
Este artigo foi originalmente publicado no portal do jornalista Claudemir Pereira, de Santa Maria da Boca do Monte – região central do Rio Grande
