Júlia Klein Caldas e Bruno Lima Rocha
É preciso considerar o papel central das plataformas digitais de interação na circulação de mensagens, imagens, discursos e simbologia política que influenciam o debate público e a disputa eleitoral no Brasil. As Big Techs têm grande responsabilidade sobre as condições em que as candidaturas alcançam o eleitorado, uma vez que controlam os algoritmos, organizam e recomendam conteúdos, de acordo com seus interesses políticos e econômicos. Logo, se estas redes sociais estão programadas justamente para reforçar a campanha do presidenciável reacionário e entreguista, o Brasil, como país soberano, está sob ingerência externa.
Quando empresas estrangeiras exercem esse poder sem transparência e sem mecanismos adequados de responsabilização, colocam em questão não apenas a integridade do pleito presidencial de 2026, mas também a soberania informacional do Brasil. Apenas com este mínimo esforço descritivo verificamos o óbvio: as eleições presidenciais de 2026 não são justas e a responsabilidade destas empresas precisa estar no centro do debate sobre a transparência, a equidade e a legitimidade das eleições brasileiras.
Se tais afirmações parecem excessivas, basta observar o comportamento do eleitorado no Chile, Peru, Honduras, Bolívia e Colômbia, bem como a atuação de Fernando Cerimedo, operador argentino ligado a Marco Rubio, secretário de Estado de Trump, e de seus sócios nesses países. Embora as informações sejam públicas, não alcançam a dimensão de escândalo que merecem, em parte porque estamos sendo cotidianamente domesticados. Afinal, não é preciso submeter toda a população à desinformação e ao desgaste cotidiano das redes: basta mobilizar uma parcela mais ativa, orientada por interesses diretos, sistemas de crenças ou relações de sociabilidade fundadas no preconceito e no conservadorismo.
O que mais espanta é a surpresa diante do que está ocorrendo no Brasil. Nosso sistema eleitoral é sólido, e o problema não está na totalização dos votos nem em sua transmissão, mas nas condições em que os eleitores formam suas escolhas. Nesse processo, a circulação de opiniões é contaminada pela desinformação e pela fabricação de mentiras, reforçadas pela indústria cultural em sua vertente jornalística, na qual vemos os interesses e as relações institucionais se sobrepondo ao próprio valor-notícia.
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