Por Júlia Klein e Bruno Lima Rocha

Ao longo do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, a manipulação dos algoritmos foi gritante, em uma ação premeditada por determinados setores para incidir sobre o debate público brasileiro. Mas a disputa pela produção de sentidos no campo político não ocorre apenas nas plataformas digitais: a grande mídia também desempenha papel central na definição do que ganha visibilidade, de como os acontecimentos são enquadrados e de quais discursos devem alcançar o público. Nesse cenário, os conglomerados de comunicação têm ampliado sua dependência de fontes de financiamento, em detrimento de modelos tradicionalmente baseados em publicidade, assinaturas de TV e programação paga, aspecto que também merece atenção quando se discute a influência dos interesses econômicos destas empresas sobre o debate público.

Inseridos na economia da atenção, os conglomerados empresariais passaram a operar como uma espécie de “segunda tela” de si mesmos: banalizam o conteúdo, transformam questões estruturais em espetáculo e reiteram, de maneira quase permanente, as causas que atendem aos seus interesses. A mais explícita delas é a insistência em anunciar que o “mercado está nervoso” e em apresentar os “cortes de gastos” como uma necessidade inevitável, naturalizando uma agenda econômica que raramente é submetida ao mesmo escrutínio reservado a outras posições políticas.

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