O histórico dirigente retorna ao “poder” através da urna, após tê-lo perdido na derrota ideológica materializada na fraude eleitoral de Violeta Chamorro

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O “sandinista” Daniel Ortega, 61 anos, dirigente histórico da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSNL), venceu as eleições presidenciais da Nicarágua no primeiro turno e deverá tomar posse em janeiro. Ele recebeu 38,07% dos votos ficando nove pontos percentuais à frente de seu principal adversário, Eduardo Montealegre. Os eleitores nicaragüenses escolheram entre cinco candidatos que representaram as forças políticas do país: o Partido Liberal Constitucionalista (PLC), a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), a Aliança Liberal Nicaragüense (ALN), a Alternativa pela Mudança (AC) e o Movimento Renovador Sandinista (MRS).

O candidato conservador Eduardo Montealegre obteve a segunda colocação e, assim como ele, outros líderes foram rápidos em cumprimentar Ortega. Em um comunicado lido na TV cubana, Fidel Castro saudou a vitória sandinista. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, forte opositor da política norte-americana na América Latina, comemorou a subida ao poder de mais um presidente mais à esquerda no continente.

O governo de George W. Bush havia se pronunciado contra a candidatura do ex-revolucionário e ameaçado cessar a ajuda norte-americana à Nicarágua caso Ortega fosse eleito. Daniel Ortega, ainda que com discurso lavado, representa midiaticamente a antiga esquerda da América Latina, anterior ao fim da bipolaridade. É uma figura próxima a Fidel Castro e ao presidente venezuelano Hugo Chávez; não seria exagero avaliar que sua vitória foi um reflexo de avanço da concepção chavizta, ou até bolivariana, no Continente.

Ainda que em desacordo e desagravo, após a divulgação do resultado nicaraguense, os Estados Unidos se comprometeram a trabalhar com o novo presidente e manter a ajuda financeira. Aproxima e estimula a Casa Branca, a composição da política de alianças firmada entre os sandinistas e os conservadores, a assessoria financeira monetarista da nova dirigência sandinista e a postura favorável do novo presidente aos investimentos estrangeiros no país.

O efeito simbólico desta vitória é mais contundente do que os efeitos diretos na alteração da vida concreta da sociedade nicaragüense. Ainda assim, um processo de mais de 20 anos de guerra civil, entregue o poder a oligarquia pró-Somoza na urna fraudada, gera uma lição de aprendizado histórico, na necessidade de criação de uma outra institucionalidade além do voto.

Redação e pesquisa de Camila Reinheimer

Revisão de Bruno Lima Rocha

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