No caminho do vale-tudo, a juventude oligárquica venezuelana substitui aos incapazes militares golpistas e dirigentes patoteros. Prepara-se para o desgaste da política oficial e confronta diretamente a maioria do povo moblizado.
Foto:A presente Nota, mais do que uma continuação da anterior, pode ser lida como a ante-sala do próximo boletim desta aguerrida página. Aprofundando e traduzindo o título, reconheço um tanto enigmático, desenvolve-se a crítica e a luta entre duas lideranças político-militares. Uma, o presidente que também é celebridade, Hugo Rafael Chávez Frías; outro líder, seu ex-ministro de Defesa, Raúl Isaías Baduel. A leitura que aqui faço é a seguinte:
“O afastamento do segundo (Baduel), em relação ao primeiro (Chávez), pode ser o fator de instabilidade necessário para que a votação pelo SÍ não atinja os mais de 60% necessários para garantir a ampla margem de que o governo chavista necessita.”
Olho na análise, uma vez que estamos a debater sobre golpistas de direita, operadores do Departamento de Estado, papagaios de mídia através das linhas da SIP (com sede em Miami) e gusanos de todos os tipos e cores. Faz-se necessário dizer em alto e bom som que esta página entende o projeto bolivariano como positivo para os destinos da Pátria Grande. Mais, que existe uma Pátria Grande e que por vezes, nossa história demonstra ser a forma da liderança carismática a mola propulsora de avançadas populares.
Mola propulsora sim, como um pavio. Explode e detona, logo se apagando. No médio prazo, o(s) populismo(s) – e aqui afirmo que o mesmo existe e não necessariamente isto é negativo – termina por roer a corda. Explicito a qual corda(s) me refiro.
A institucionalidade pela qual se lançou ao mar o general Baduel e defendida por Dieterich (ler nota anterior) aposta em uma solução republicana e com certo equilíbrio entre poderes, medianamente pautada pela Constituição venezuelana de
O tenente-coronel Chávez aponta outra coisa; é uma liderança carismática que crê em suas luzes própria e no apoio popular (sobrante, ainda) muito mais do que em qualquer assessoria eficiente. Foi a autoconfiança do conspirador de fevereiro de 1992 que o levou a galvanizar os votos em 1998. As experiências de organização popular aparentemente não superam a capacidade de mobilização vindas do Estado. Na troca entre uma nova forma de vida, a partir da economia cooperativa, e o custo a ser pago pela intermediação da tecno-burocracia somada aos arrivistas e incapazes de sempre; bancar aos inúteis sai mais barato do que pelear duro por outro projeto de sociedade sem intermediários profissionais.
Ao lado da direita de sempre (a mesma do golpe de 2002 e saudosa da farra de Punto Fijo), que ainda não está morta, perfila uma possível saída republicana. Junto aos ocupantes de Miraflores, a aposta é em uma ausência da política com a centralização do poder, com o ímã Chávez catalisando as energias do povo; uma outra solução perfila tímida e mais à esquerda, indo no rumo da institucionalidade não estatista.
Se Chávez conseguir aprovar o SÍ com mais de 60%, a roda do moinho vai tragar uma parte dos jogadores já no dia 2 de dezembro. Caso contrário, o tabuleiro muda, perfilando o antagonismo chavismo-bolivariasmo X escuálidos-aliados.
