Dez anos e a tragédia se repete. Ex-patrocinadores do Corinthians, Ricardo Mansur, Edemar Cid Ferreira e Ezequiel Nasser, no dia 19 de junho deste ano foram condenados pela Justiça Federal por terem praticados ações bancárias no ano de 1997 conhecidas como troca de chumbo. Como dissemos ação de tipo-máfia é sistêmica e não-episódica. Ah, nenhum dos banqueiros está preso.
Foto:A queda do S.C. Corinthians Paulista para série B do Campeonato Brasileiro de futebol supera o fenômeno dentro das quatro linhas. O clube com a segunda maior torcida do Brasil sofreu um ataque identitário, mascarado sob a forma de “problema de gestão”. A linguagem gerencial acoberta a liquidez sem fim e os crimes financeiros.
O tema é duro, mas tem de ser abordado. A economia política rege o futebol hoje. Nenhuma “commodity” ambulante e singular não tem valor agregado tão alto como um boleiro. Os valores astronômicos, o estilo de vida agregado com marcas, o uso de tecnologia de consumo individual, o fetiche da mercadoria portado por outra “mercadoria”; tudo isso atenta contra a memória desta instituição de futebol.
Não foi falta de aviso, foi falta de exercício de governo mesmo. O Banco Central e o CADE não intervieram nas negociações do Corinthians. O Ministério Público denunciou e tudo estava previsto em letreiros garrafais. Máfia russo-georgiana, uso de laranjas, controle oligárquico familiar sobre o destino e ansiedade de milhões. Não poderia dar em outra coisa. E, não foi a primeira vez.
Pouca gente hoje se recorda, mas quando o Corinthians fechou patrocínio com o Banco Excel, a situação falimentar foi a mesma. Depois o primeiro tornou-se Excel-Econômico, sendo que ambas as empresas de financistas foram vendidas para o Banco Bilbao-Vizcaya. Com a Hicks, Muse, Tate & Furst Incorporated, nova tragédia. Como se nada nem ninguém aprendesse com os erros. O problema é que quando um erro é sistêmico, é porque não é equívoco e sim intencionalidade.
Embora alegando herança madita, pouco ou nada mudou a não ser a queda para a segunda divisão. André Sanches Dias é a continuidade descontínua de Dualib e cia. Era membro da gestão anterior, amigo de Kia e operador da “parceria”. O discurso de despedida do cartola Antoine Gebran gritou a herança mas não atentou contra o grupo de herdeiros.
O neoliberalismo fracassou no intento de tragar a alma dos corintianos para a liquidez falimentar das instituições sócio-culturais brasileiras. Por sorte, a conversão ideológica e identitária nem sempre funciona. O preço a ser pago e a dívida ainda com a cobrança em aberto precisa ser executada. Como não existe ação coletiva sem responsabilidade individual, uma leva de cartolas tem de ser punida, tanto herdeiros como depositários.
