
A reunião da cúpula do Mercosul, realizada em Montevidéu na última sexta-feira dia 9 de dezembro, culminou na entrada da Venezuela como membro pleno do bloco econômico. Como todos sabemos, este país produtor de petróleo é governado pelo tenente-coronel pára-quedista Hugo Chávez, seguidas vezes eleito e reeleito desde o ano de 1998. Distintas reações foram manifestadas na mídia brasileira, entre escolas opostas de “especialistas”, operadores políticos e empresários. Com este artigo, pretendemos
Enquanto Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru ainda estão sob a condição de membro associado, o Estado venezuelano, torna-se pleno ultrapassando outros países há mais tempo na fila. O bloco econômico contará a
Uma unidade política não é apenas fruto de integração econômica. Ainda falando de interdependência, o grau de envolvimento e resolução ideológica, implicam e muito no seu desenvolvimento. Conforme afirmamos no artigo último, no mundo real das forças sociais é impossível
Na urgência das economias sem muita liquidez, os petrobolívares de Chávez já são a tábua de salvação dos governos argentinos e uruguaios. A Argentina conta com somas altas e importantes vindas da Venezuela. Kirchner está em franca
No Uruguai, o sufoco é tamanho que até um jornal notoriamente ligado aos partidos tradicionais como El País de Montevideo está comemorando abertamente. Cadeias produtivas quase falidas como a do cimento e a do álcool serão refinanciadas pelo dinheiro venezuelano. O perfil do governo de Tabaré Vazquez é o mais parecido com o de Lula e sua base aliada. O presidente eleito tem como homem forte um senador da direita da Frente Ampla (FA), Danilo Astori, de perfil e prática política muito assemelhada a de Antônio Palocci. Dando provas de “maturidade”, Astori aplica o receituário do FMI e governa de mãos dadas com a Banca. Mesmo assim, estão todos contentíssimos ao saberem que agora terão um parceiro forte, dentro de um marco jurídico comum.
No presente momento, o Mercosul caminha com a morosidade de um burocrata. Não alcança
Foi justo neste momento que houve a necessidade do Brasil impor-se como parceiro forte do bloco. Não vamos
Para sermos justos, estas políticas não foram iniciadas no governo de Luiz Inácio, e sim na era FHC. Tanto foi assim, que no começo de seu mandato, ainda em 2003, Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia agiam como árbitros de contendas no continente. De uma forma discreta e bastante “tucana”, o governo brasileiro fez o que pode para
A posição “madura” e subserviente de Lula foi sendo colocada pouco a pouco contra a parede. De um lado, a função de bombeiro da América Latina pendeu para um homem de confiança de George W. Bush, seu velho amigo Vicente Fox, presidente do México. Por outro, a posição de líder das relações latino-americanas passou a Chávez. Isto porque este tem mais agressividade política assim como mais dinheiro líquido em caixa. E como bem se sabe, na política internacional, o que vale mesmo são os recursos econômicos e o poderio bélico.
Tanto isto é fato, que o pequeno Paraguai cede território nacional para os EUA instalarem bases militares próprias. Em troca, o governo de Bush Jr. aporta recursos financeiros de baixo custo e volume relativamente elevado para o porte daquele país. Assim, o país guarani estaria hoje jogando na função de peão dos Estados Unidos, sendo o México seu bispo.
Esta situação também oferece uma comparação interessante. Tanto Chávez como Lula tem problemas internos seríssimos. Na aparência, a retórica é semelhante e haveria alguma aproximação entre ambos. Pura ilusão. Se os setores sociais que dão suporte ao governo Lula, a
Voltando a política externa brasileira, sem dúvida o momento é grave. O governo Lula vê o Brasil
Alguém deveria
Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat
