
Viamão, 20/12/2005
Um dos males que afligem a vida política brasileira é o chamado casuísmo. No momento, o debate a respeito do tempo de mandato presidencial, se de quatro ou cinco anos, com ou sem reeleição, volta à tona. A franqueza da análise nos obriga a
As motivações geradoras deste debate hoje, são tão ou mais casuísticas, do que àquelas impulsionadas por Fernando Henrique Cardoso e seu então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, o Serjão.
Como é sabido por todos, Serjão foi atrás dos votos necessários para a emenda constitucional que permitiria a reeleição. E foi com vontade, “por todos os meios necessários”. Não vamos
Embora o público externo não o perceba, muito em função do círculo viciado e vicioso que é a vida acadêmica brasileira, o debate em torno de formas, fórmulas e conteúdo democrático é vital na ciência política brasileira e latino-americana. O fosso termina por
Embora estejamos mais próximos do segundo grupo, vemos esta disputa muitas vezes como cega e esterilizadora do debate. Sempre cabe
– Afinal, procedimentos políticos servem para que?!
Se trouxermos o debate para o campo das artes, da comunicação e da estética, veremos que há uma falsa contradição entre forma e conteúdo. Se diferente fosse, certamente as cidades, as estruturas arquitetônicas, o design e também as fórmulas de funcionamento político-social dos antigos países stalinistas seriam lugares e sociedades agradáveis para se
O mesmo vale para os partidos políticos, sejam estes eleitorais ou mais radicalizados. Vejamos um exemplo genérico já comum e corrente nas esquerdas mais extremas da América Latina. Por melhor intenção que tenha uma organização, ausente da estrutura interna adequada para os objetivos propostos por ela, o mau funcionamento só gerará mais projetos falidos e diversas frustrações.
Mas, uma vez contando com elementos fundamentais, a trajetória “presumidamente” fracassada pode
Entramos no debate político através deste exemplo justo por
Ou esta termina por resignar-se em
O recente exemplo boliviano nos materializa a hipótese. Caso o governo de Morales e Linera não comece a
O mesmo vale para a elite de Santa Cruz de la Sierra e sua proposta de autonomia política. Mesmo sendo uma questão central, um problema de fundo presente na realidade boliviana desde sua formação, esta questão jamais passaria pela cabeça dos cambas em outras eras.
Apenas para
Formatos de organização política e arranjos institucionais importam sim, e muito. Mas, as regras e procedimentos são incapazes de por si próprias, alterarem a estrutura de uma sociedade. Este é o problema de fundo e que no Brasil pactamos por não
Com quatro ou cinco anos de mandato tendo ou não direito a reeleição, teremos as mesmas relações fisiológicas, clientelísticas e corruptas emanadas da classe política brasileira. Esta sociedade estruturalmente injusta continuará vivendo a contradição de
Não precisamos de teorias loucas para constatarmos o óbvio. Não por acaso, quanto mais sofisticado costuma
Mas, uma vez que sou contra as análises tão consistentes quanto uma gelatina, penso que devo
Obviamente, enquanto lança os gastos públicos em cerimoniais, o presidente, governador e prefeito faz campanha com nosso dinheiro.
A reeleição gerou eras ruins, péssimas e tenebrosas em toda a América Latina. Para que nenhum leitor imagine que com este artigo estamos fazendo campanha de forma indireta, não citaremos nomes. Acreditem, não é este o propósito deste artigo.
Defendemos o mandato único para
Portanto, somos contrários ao modelo atual, onde prevalece uma democracia de ritos e de cujo caldeirão de bruxarias brotam atores individuais.
Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat
