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Coluna Além das Quatro Linhas •


Tradição no futebol? O dinheiro não liga para isso

clubalfaabril.com.br

O clube não morre para o torcedor ainda que o dinheiro o faça retroceder

07 de agosto, Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Já ouvimos de um importante dirigente do Sport Club Internacional que continuar chamando o colorado gaúcho de "clube do povo" seria “balela” e que isso era “coisa” que a mídia inventava para fazer com que o torcedor pressionasse a diretoria. Algumas evidências dão razão ao que disse o cartola.

A nova temporada europeia apontará um dos times mais tradicionais do continente fora da principal divisão do campeonato de seu país. Imerso em dívidas fiscais, o Rangers F.C., conhecido como Glasgow Rangers, precisou ser rebatizado para “The Rangers F.C.” e disputará a última divisão da Escócia!

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Aos poucos, matando a tradição

Nós, que amamos o futebol, sentimos raiva e ao mesmo tempo dó quando vemos a forma com que algumas pessoas tratam este esporte tão apaixonante. A mercantilização do futebol é algo inevitável atualmente. Tudo que faz parte do jogo passou a ser um produto valioso. Poucos notam que pessoas, no caso jogadores, são uma mera mercadoria, que um empresário coloca o preço e quem tiver mais dinheiro leva.

Falar em grandes clássicos internacionais sempre foi lembrar de Glasgow Rangers X Celtic. Dentro de campo, independente de religião, os jogadores assumiram a disputa entre os católicos do Celtic e os protestantes do Rangers. A violência dentro de campo chega a ser mais comum que fora dele, dada a tensão do confronto.

No último 29 de abril, os torcedores do Celtic riram de felicidade ao verem os alviverdes vencerem os rivais azulados por 3 a 0, com direito a uma grande faixa com “Os Cavaleiros do Apocalipse”, sendo um deles o ex-dono dos rivais, Craig Whyte. O Celtic confirmava o título com 21 pontos à frente de um rival que havia levado os três Campeonatos Escoceses anteriores, mas que perdera 10 pontos em 2011/2012 por problemas financeiros.

Mas não parou por aí. Clube mais vencedor do país, com 54 títulos, o Glasgow Rangers foi vendido por cerca de 5,5 milhões de libras esterlinas (17,7 milhões de reais) ao empresário Charles Green. Uma bagatela, na prática conceitual. Até seria um erro chamar isso de “clube”, pois o sistema de vendas e franquias é distinto da associação de tipo clubística. O “clube” devia cerca de 21 milhões de libras e estava prestes a decretar falência, confirmada após a Fazenda britânica rejeitar o plano de viabilidade econômica para o pagamento da dívida, na ordem de 21 milhões de libras (cerca de R$ 68 milhões). Nos últimos anos, com “crise” econômica, quanto menos dinheiro se tinha, mais se recorria a empréstimos, de forma que só aumentaram as dívidas. Conhecemos bem essa ciranda, a exemplo do que ocorre com o C.R. Flamengo.

Com isso, tudo começará do zero. O “Rangers F.C.” se tornará o “The Rangers F.C”. Os 140 anos de tradição ficarão apenas na história de um clube que tenta, ao menos, manter as cores, o escudo e os símbolos de tanta conquista, já que passa a ser um novo time. Como se sabe, para além dos direitos autorais e de uso da imagem, as identidades de uma equipe de massa como esta são da ordem do patrimônio imaterial. Parece absurdo a perda dos emblemas e cores, mas legalmente (legal segundo qual código?), isto pode acontecer.

Ainda havia esperanças de que a maioria dos clubes da Scottish Premier League pudesse permitir que o Rangers conseguisse a licença para seguir no torneio. Mas isso não ocorreu. Além disso, cogitou-se criar uma nova divisão abaixo da principal, porém a proposta também não foi aprovada, agora pelos 30 clubes da Scottish Football League, que toma conta das três divisões inferiores do país.

A decisão de julho coloca o clube na Division Three, num recomeço que faz tristes milhões de torcedores que, com certeza, não irão abandonar o clube, pois estes vivem da paixão pelo esporte. Basta perguntar: qual foi o balanço financeiro do Rangers no último ano? A grande maioria não saberá nem dizer se foi superavitário ou deficitário, pois para estes pouco importa desde que ganhem títulos e levantem taças. Isso sim, qualquer simpatizante sabe tirar de letra... (como diz a música cantada nas canchas do Uruguay e Argentina: y que ganes o pierdas a mi me importa uma mierda, sos mi cuadro queriiiidooo!)

Outros casos

A notícia do último final de semana foi a que um dos “novos ricos” europeus, o espanhol Málaga, começa a se desfazer dos seus principais jogadores por conta de problemas administrativos que fizeram o clube ser posto à venda após a inédita vaga à Liga dos Campeões da Europa. O atacante venezuelano Salomón Rondon foi vendido ao russo Rubin Kasan por 32 milhões de reais. Os próximos da lista podem ser o meia espanhol Santiago Cazorla, o volante francês Toulalan e o zagueiro argentino Demichelis.

Porém, outros times repetiram a história de falência dos escoceses do Rangers. Na Itália, dois grandes clubes passaram por esse processo, tendo que começar do zero quanto ao futebol.

A Fiorentina mudou seu nome em 2002, passando a ser, oficialmente, Florentia Viola. O Napoli deixou de existir em 2004, sendo refundado como Napoli Soccer, chegando na última temporada às oitavas de final da Liga dos Campeões. Ambos reconquistaram o direito de usar os antigos nomes, mas antes tiveram de passar pelas divisões inferiores do país até voltar à primeira divisão.

A Argentina teve o caso mais clássico, com a paixão dos torcedores mudando tudo. O Racing Club (cuadro de Avellaneda, cuadro de Perón), um dos chamados “cinco grandes” do futebol de lá, faliu em 1999 e foi refundado como Blanquiceleste, logo depois readquirindo o nome original. As dívidas eram da ordem de 30 milhões de dólares, sendo decretada a liquidação do clube.

No dia 07 de março, o clube jogaria em casa pela primeira rodada, contra o Talleres. Mesmo não existindo oficialmente, 30 mil torcedores foram ao Estádio Presidente Perón como se fossem ver a decisão de um grande título nacional – o que eles voltarão a fazer pela recém-criada Copa Argentina, contra o Boca Juniors. Em menos de 72 horas, a Câmara de Apelações reverteu a decisão.

Se os órgãos de defesa econômica, o próprio Ministério da Fazenda, fizessem no Brasil o mesmo que em outros países, todos os nossos grandes clubes já teriam decretado falência há muito tempo.

E o Brasil com isso?

Em 2012, a Pluri Consultoria, apontou que o Botafogo deve algo em torno de R$ 566 milhões; o Fluminense, R$ 405 milhões; o Vasco, R$ 387; e o Atlético-MG, R$ 368 milhões. Isso só para ficar nos quatro primeiros, já que a média dos 14 principais clubes do país é de R$ 255 milhões, enquanto a média de receita anual destas mesmas equipes é de R$ 141 milhões.

É bom que se explique também que a relação da dívida para uma possível falência ou moratória é da mesma forma que em outras áreas econômicas. Por exemplo, os Estados Unidos devem muito, mas possuem uma estrutura financeira que dá tranquilidade aos seus credores, logo não se é necessário correr atrás para que o país pague o que deve neste momento. O Real Madrid também deve milhões de euros, porém tem uma estrutura administrativa que garante a tranquilidade aos seus credores.

Porém, a Europa está prestes a entrar na era do “Fair Play financeiro”, ou seja, os clubes serão obrigados a gastarem somente o que tiverem como prévia de receita, com risco de receberem fortes punições da UEFA caso isso seja descumprido. É um aviso para se manter o cuidado em meio a tantas aquisições (para lavagem de dinheiro) por ricos russos e árabes.

Não é à toa que o Barcelona vem passando por uma mudança administrativa, com gastos controlados, principalmente para um clube que forma mais que contrata. O Brasil nem de longe está neste caminho...






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