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Coluna Além das Quatro Linhas – Semana de 19 de setembro

Jb.com.br

Dilma, Pelé, Orlando, Anastásia e operários da obra do Mineirão, que até há pouco tempo atrás estavam em greve.

Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Menos de 1000 dias...

Relógios em algumas das cidades-sede para a Copa do Mundo FIFA 2014 – para não sermos processados, o nome da marca tem que ser por inteiro –, marcam que faltam menos de 1000 dias para a volta de um dos maiores eventos do planeta ao território brasileiro. No meio das comemorações, um site foi lançado, Lei Geral da Copa foi apresentada, greves foram contestadas e voltamos ao mesmo questionamento: a Copa sairá, mas como?

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MAIS DINHEIRO PÚBLICO

Na última sexta-feira, 16 de setembro, a capital mineira Belo Horizonte foi o palco da realização do evento oficial que marcou a contagem regressiva de mil dias para a Copa do Mundo FIFA 2014.

A presidenta Dilma Rousseff, na companhia de Pelé (embaixador da Copa), foi até o estádio do Mineirão para verificar o andamento das obras. À tarde em uma cerimônia que custou cerca de R$ 650 mil aos cofres públicos, estiveram presentes o governador de Minas Gerais Antonio Anastasia, o prefeito Marcio Lacerda, o ministro dos esportes Orlando Silva, o senador Aécio Neves, e o presidente do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Teixeira. Nenhum representante da FIFA compareceu ao evento.

Outros relógios foram lançados no mesmo dia em algumas das cidades, mas cada um seguiu seu padrão para a construção. Enquanto em Minas é uma ampulheta de oito metros de altura, o de Salvador tem a forma de berimbau e em Recife, nada de especial.

Já em Fortaleza se optou por marcar 1000 dias com uma missa ecumênica com os operários, enquanto em Brasília – sempre lá –, houve show que durara todo o dia para comemorar que só faltam 1000 dias (como se estivesse tudo dentro do previsto...). Em Cuiabá, lançou-se o documentário turístico “Trilogia do Pantanal”. Óbvio que nada vai aparecer – não de forma oficial – sobre problemas a assolar a região, como a devastação de regiões da Amazônia Legal, a exemplo do norte de Mato Grosso.

Já em São Paulo, houve uma grande festa com campeões mundiais pelo Brasil, com direito a toda as personalidades pegando a linha “Corinthians-Itaquera” do metrô, dentre os quais, Ronaldo e o prefeito da cidade Gilberto Kassab. É claro que foi um vagão exclusivo para eles, ou acham que as “autoridades” enfrentariam um problema nalguma das linhas ou metrôs lotados?

GREVES MARCARAM COMEMORAÇÃO

Ao visitar o canteiro de obras do estádio do Mineirão, a presidenta Dilma deparou-se com máquinas e operários parados desde a última quinta-feira exigindo melhores condições de trabalho. Na chegada, a presidenta optou por evitar os grevistas que protestavam em frente ao estádio, entrando pelo lado oposto para acompanhar as obras. Desculpem a pilhéria, mas é inevitável questionar: - O que é isso companheira?!

E, como de costume, no Maracanã, não é diferente. Nesta segunda-feira, 19 de setembro, os trabalhadores resolveram retomar as obras que estavam paradas há 19 dias, também devido à greve. Na última sexta-feira o Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ) considerou abusiva a paralisação por tempo indeterminado dos operários. Conforme o presidente do Sindicato da Indústria de Construção Pesada (Sitraicp), uma nova reunião será marcada com o consórcio formado pelas construtoras Delta, Odebrecht e Andrade Gutierrez, responsável pela reforma, pois os trabalhadores continuam insatisfeitos.

Comenta-se que dentre as sedes a serem escolhidas pela FIFA em outubro para a Copa das Confederações, o nosso maior estádio não estará entre elas. Vale lembrar que não é a primeira greve no Rio de Janeiro e que outros problemas apareceram no percurso, como a ação na Justiça que questionava a destruição das arquibancadas pelo fato de o Estádio Mário Filho ser tombado.

FALTANDO MIL DIAS, HÁ O QUE COMEMORAR?

Faltando pouco mais de dois anos para o mundial de 2014, há mais com o que se preocupar do que comemorar. A maioria dos estádios está com atraso nas obras, aeroportos continuam um caos, e a mobilidade urbana pouco mudou. O Governo promete que tudo estará pronto, tranquilamente, a tempo, enquanto quem realmente organiza está calado. O COL do Teixeira se calara de vez.

Curioso, já que há tanta preocupação em destacar que a CBF é uma entidade privada, que não tem que dar qualquer justificativa; que a FIFA é outra entidade privada, a quem o torneio pertence e que só caberia à União assinar embaixo. Mas na hora de falar sobre as obras para um evento privado quem fala é o Ministério dos Esportes do Brasil. Para piorar, na hora de dividir os lucros, não esperem que a República Federativa do Brasil fique com algo, apesar de gastar tanto.

Em São Paulo o estádio do Corinthians passou a ser construído há poucos dias e só agora resolveram um grave problema, o dos dutos de gás que passam embaixo do terreno. No Rio de Janeiro e em Minas Gerais aconteceram greves e em Porto Alegre as obras do Beira-Rio se arrastam, pois o contrato com a construtora ainda não foi assinado. O Internacional promete assiná-lo contrato com a Andrade Gutierrez até o fim de setembro.

Segundo o cronograma oficial, Cuiabá tem as obras adiantadas. Em Salvador o consórcio OAS/Odebrecht promete começar a perfuração do novo estádio em 30 dias, obra a qual o Tribunal de Contas do Estado havia estranhado o fato de o projeto não ser adequado, mesmo após a implosão de boa parte da antiga Fonte Novo.

Em Brasília as obras do Mané Garrincha estão em processo de desmonte e demolição, num estádio que mesmo com arquibancadas a serem desmontadas após a Copa do Mundo FIFA ainda ficará muito além do público do campeonato distrital – média de cerca de 2 mil pessoas para um estádio a 20 mil.

Em Recife, pelos comentários locais, ao menos o novo estádio deverá ter dono. Possuindo o menor dentre os três grandes pernambucanos, o Náutico deverá ficar com a responsabilidade de manter a nova Arena. As obras também não começaram, já que o consórcio Odebrecht/ISG/AEG, ainda finaliza uma pesquisa arqueológica sobre o terreno.

Fortaleza também está entre as sedes mais atrasadas. O consórcio Galvão/Serveng/BWA vai construir um novo estádio com valor estimado em R$ 450 milhões. Em oposição, Manaus é a sede com obras mais avançadas, orçado em R$ 500 milhões, que também será construído pela Andrade Gutierrez – um gasto deste tamanho para quem jogar lá depois?

Só que os maiores problemas estão em outros dois estados. No Paraná, as obras para reforma da Arena da Baixada ainda não começaram, as negociações se arrastam a mais de um ano, com um impasse entre o Atlético-PR e o governo.

Em Natal, o caso parece ser ainda mais grave. Até agora, todas as licitações para ter alguém como parceiro na construção não teve um concorrente sequer! O governo local tenta de tudo para evitar ainda mais problemas e mais atrasos.

LEI GERAL DA COPA

Esta semana foi enviado ao Congresso a Lei Geral da Copa, após forte pressão da FIFA, que quer seus interesses postos como lei o quanto antes, embora o Ministro dos Esportes dizer que não tem nada disso.

O valor dos ingressos será definido pela FIFA, apesar de ser respeitado o direito do idoso de 50% (Lei do Idoso) e de o direito de meia-entrada estudantil ser resolvido com os estados e municípios – pois o ex-presidente da UNE, atual ministro dos Esportes, não quis assumir um direito histórico do movimento estudantil e dar uma peitada na entidade internacional.

Além disso, as marcas FIFA ficarão sob exclusividade para a entidade, podendo causar prisão de três meses a um ano para quem a piratear. Os direitos de transmissão sonora, visual e qualquer outro tipo interligado também estão sob auspício da mesma regra. Por conta da “liberdade de expressão” se permite o repasse de 3% das partidas mesmo para quem não adquiriu tal direito – algo que já gerou problema da Globo com o Uol no mundial passado.

Outro item a ser negociado com os estados é a entrada de bebidas alcoólicas nos estádios, algo proibido em boa parte do país. Porém, uma das patrocinadoras do evento é uma cervejaria, que, com toda certeza, utilizará o seu direito contratual para exclusividade na cancha e arredores. O que pode gerar um problema também para os bares e restaurantes que já se localizam em torno, que não poderão vender outras marcas de cerveja.

Sobre o atraso das obras de infra-estrutura, já se admite que não ficarão prontas a tempo, ou seja, preparem-se para o bom e velho “jeitinho” brasileiro para resolver problemas como trânsito, vôos e tudo o mais que somos obrigado a nos “acostumar” cotidianamente. Quer dizer, apresentou-se uma solução genial: feriado nos dias de jogos. Afinal, no feriado nem em São Paulo há trânsito!

Enfim, faltando menos de mil dias para Copa, o Brasil tem muito com que se preocupar, e não estamos falando da seleção de Mano Menezes.






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