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Coluna Além das Quatro Linhas •


Coluna Além das 4 linhas - edição da semana de 16 de agosto de 2010, concomitante a final da Libertadores em Porto Alegre

Internacional.com.br

Leandro Damião estréia na Libertadores e faz o gol da tranqüilidade; uma arrancada de 51 metros a la Escurinho. Na foto, vemos a alegria do jovem centro-avante e ao fundo a onipresença da marca do Banco Santander, patrocinador do torneio organizado pela Conmebol

Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha


A América do Sul tem um novo Bi-campeão

Na madrugada de quarta 18 para a quinta feira 19 de agosto, o Internacional de Porto Alegre sagrou-se pela segunda vez, campeão da Copa Libertadores da América. Na final de dois jogos ambos vencidos pelo time do redimido Celso Roth (este que já foi escorraçado pela torcida e por dirigentes da dupla Gre-nal, em um passado recente) o colorado conquistou o bicampeonato contra o Chivas do México, igualando-se ao maior rival Grêmio no numero de conquistas dessa competição. O time gaúcho engrenou após a parada para Copa do Mundo, não sem antes passar por momentos de turbulência, culminando com a demissão do ex- técnico, o uruguaio Jorge Fossati.

O destaque positivo foi Giuliano que marcou seis gols na competição, alguns deles salvadores. Tal foi o caso do gol da classificação para a fase de semi-finais contra o Estudiantes de La Plata (los pinchas de Argentina) aos 43 minutos do segundo tempo. Com toque de bola, o estádio lotado, o futebol ganho na bola e sem mutreta, consagram a direção atual e o ressurgido das cinzas Ceslo Roth. Parabéns aos colorados campeão da copa Libertadores de 2010.

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Cadê o Protocolo?

A copa Santander Libertadores tem um prestígio que dispensa comentários, mas está muito aquém de qualquer torneio realizado na Europa. Fatos lastimáveis como os que ocorreram após o título conquistado pelo Internacional, lembram um torneio de várzea. Logo que o árbitro colombiano Oscar Ruiz encerrou a partida, jogadores de Inter e Chivas trocaram socos e voadoras no gramado, demonstrando total falta de esportividade. Também durante a premiação uma imensa quantidade de pessoas no campo, uma mistura de dirigentes, conselheiros e pessoas com influências no clube da casa, atrasou a tão esperada entrega da taça ao capitão Bolívar.

O troféu saiu das mãos de Pelé (este trajava um paletó na cor do banco espanhol maior patrocinador da competição) juntamente com o (eterno) presidente da Conmebol Nicolás Leoz e após longa espera a taça foi erguida pelo zagueiro colorado. A Globo chiou através da voz de seu grilo falante Galvão Bueno, reclamando do período de mais de meia hora de transmissão sem ver o ritual final dos campeões. È duro de admitir, mas até a Vênus Prateada teve um pouco de razão.

Em um evento do porte da Libertadores, tem de haver algum protocolo, e um rígido controle da entrega de credenciais. Aliás, esse é outro drama, pois se distribuem as permissões de acesso de forma indiscriminada e abundam pessoas sem credencial no campo de jogo. Estes dois fatores não poderiam ocorrer nem mesmo em campeonatos estaduais. Alguém precisa lembrar aos membros da entidade que comanda o futebol na América do sul que a Copa do Mundo de 2014 será realizada neste continente.


A alegria voltou

Podemos afirmar que a alegria do futebol voltou. Não estamos falando apenas do futebol arte, moleque, entre outros adjetivos dados pela crônica esportiva e torcedores. Mas do futebol talentoso e competitivo, menos falado e mais jogado. No primeiro amistoso pós Dunga a renovada seleção canarinho comandada por Mano Menezes aplicou 2x0 nos EUA, com certa autoridade e sem sofrer riscos. O que de certa forma nos incomoda é vermos fazedores de mídias oportunistas e rancorosas nos programas esportivos, nomeando Dunga como único culpado único do fracasso da seleção brasileira na copa da África. Vale perguntar: Dunga decidiu tudo sozinho? As pessoas que o contrataram não faziam cobranças ao treinador? Temos certeza que se o tão sonhado Hexacampeonato viesse teriam vários “culpados”, ou “responsáveis pela façanha”, tais como o padrinho do ex-capitão do tetra, Emídio Perondio, além do próprio Imperador Ricardo Teixeira que o contratou. Já a derrota é colocada na conta do elo mais fraco da corrente, nesse caso Carlos Caetano.

Falando em Copa do Mundo, fracassos e aberrações, só podemos constatar que a CBF é mesmo uma piada de mau gosto. Na semana anterior saiu em diversos veículos de comunicação o pedido de “desculpas” ao repórter da TV Globo, Alex Escobar. Sob pedidos do Imperador Teixeira foi mandada confeccionar uma camisa amarelinha com o número 10 e o nome Escobar nas costas. Depois de demitir Dunga pela internet, a CBF resolveu dar razão ao repórter global, mesmo que o pedido de desculpas tenha vindo com um mês de atraso. Ficou nítido que a aliança entre a Vênus Prateada da TV brasileira e a entidade sob comando da famiglia Havelange-Teixeira continua e parece voltar mais fortalecida.


Copa Sul-americana, prêmios e patrocínio

Este ano está sendo realizada a nona edição da Copa “Nissan” Sul-americana. A competição já teve sete campeões, entre eles o desconhecido Cienciano do Peru e o mexicano (de novo eles) Pachuca. O torneio entra na agenda como uma espécie de prêmio de consolação, já que somente os clubes que não adquirem vaga na copa Santander Libertadores passam a disputá-la. Esse critério, inspirado na Recopa Européia e substituindo a antiga Copa Conmebol (já extinta), opera como incentivo aos clubes brasileiros que terminam a fórmula de pontos corridos na metade da tabela. Vale ressaltar que até o momento, no Brasil, apenas o Internacional figura entre os campeões da mesma.

Por vezes a complicação está no (des)-equilíbrio na equação entre elenco, prioridades, contusões e prioridades de agenda futebolística. O fato da competição estar sendo disputada no segundo semestre, concomitante a entrada dos clubes do Brasil na reta decisiva do campeonato nacional (uns disputando o título e outros a permanência na série A), esta boa idéia acaba por ficar em segundo plano. Um fato curioso ocorreu em 2009, quando o Fluminense foi finalista na sul-america e escapou do rebaixamento para série B do nacional na última rodada.

Além da projeção, a Conmebol sempre adoça a boca com recheio dos cofres. Este ano o campeão irá faturar cerca de R$ 2,8 milhões, além de uma vaga na Copa Libertadores do próximo ano. Este belo prêmio – a vaga no campeonato latino-americano de clubes – estava quase inviável até 2007, nos permitam a ilação, pois a então principal patrocinadora do maior torneio da América do Sul era a montadora Toyota concorrente direta da Nissan. Agora que estamos contentes em ver um banco espanhol patrocinar uma competição chamada de LIBERTADORES DE AMÉRICA, justamente por terem os próceres das pátrias continentinas peleado contra a Coroa de Espanha, podemos sentir-nos aliviador ao saber que apenas uma zaibatsu japonesa patrocina a conta regida pela mui nobre, leal e valorosa comandância da Conmebol!!!

Abuso de poder

Apostamos que todos que estão lendo esta coluna em algum momento já se sentiram injustiçados pelas leis brasileiras, ou pelo (inexistente) estatuto do torcedor. Quantos de nós, em uma tarde de domingo ou noite de meio de semana, numa fila para entrar em um estádio de futebol, não fomos mal tratados por um policial militar? Quem já não foi revistado de forma grosseira? Quantos torcedores, ao levarem seus filhos para o estádio, já não tiveram de sair correndo ao ver as PMs avançarem de modo indiscriminado para cima da torcida? Indo além, quem, mesmo pagando em dia impostos e vivendo de salário (e por tanto, de pagar dívidas), já não foi tratado como “vagabundo” pelos operadores da “ordem” que envergam uma farda se postam na frente das entradas de estádios?

É totalmente discutível se estes homens e mulheres treinados como tropa de ocupação interna e anti-distúrbios devem fazer a “segurança” em jogos de futebol. Todas as vezes que os mesmos são chamados para resolver alguma confusão dentro ou ao redor dos estádios a desordem aumenta de proporção. Não estamos aqui de maneira nenhuma defendendo atos de vandalismos, mas todos têm que ser tratados com o devido respeito. Nenhum cidadão pode ser xingado pela “autoridade” policial. Um trabalhador, pai de família não pode ser chamado de vagabundo por um cidadão que por usar uma farda, julga ser superior a um civil. Este mesmo funcionário público chama de doutor um malandro de terno e gravata, só porque o elemento faz parte da curriola da cartolagem que domina nossos clubes e quase sempre fatura uma comissãozinha quando vende, compra ou indica para negociações a um boleiro. Afinal, quem já viu cartola apanhando da cavalaria na volta das canchas?

Conforme diz a Constituição Federal, temos o direito de ir e vir, pagamos pela segurança pública e exigimos respeito da dita “autoridade” policial. Se tiver baderna nos estádios, temos a certeza absoluta que o desmando e a impunidade atravessam as diretorias dos clubes, que adoçam a boca com bafo de cana dos “líderes” de torcida, distribuindo ingressos, empregando os “apaixonados” como cabos eleitorais e manipulando a massa de adolescentes que queima energia e caloria pulando sem parar os 90 minutos.

Um dos autores desta coluna recentemente foi ultrajado em um estádio de futebol profissional do Rio Grande do Sul. Aqui ninguém deixa barato o abuso de poder e estamos mais que dispostos a lutar pela liberdade de expressão e o direito do torcedor em se divertir através do futebol, sem ter de ser humilhado por gente paga pelo nosso salário e impostos. Estamos de olho e atentos, porque não tá morto quem peleia!

Dijair Brilhantes é estudante de jornalismo; Bruno Lima Rocha é editor do portal Estratégia & Análise


 






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