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Coluna Além das Quatro Linhas – Semana de 17 de outubro

uolesporte

Elenco em pé de guerra e abuso de pressão vinda da torcida empresa alvi-verde. Na foto, Marcos Assunção peita alguém que lhe peita, exigindo desempenho profissional. No banco, Felipão tenta descolar-se da briga entre jogadores e torcida. O S.E. Palmeiras é um laboratório das tensões que atravessam o futebol brasileiro atual.

Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Uma crise (e dúvidas) sem fim

Ao longo de 2011, a Sociedade Esportiva Palmeiras parece estar fazendo questão de encher os jornalistas brasileiros, em especial do “centro” do Brasil, de notícias. Mas o motivo não são os bons resultados em campo, “esquecidos” desde a Era Parmalat, mas as crises que aparecem na mesma proporção do tamanho da sua torcida.

Estas pequenas crises deixam ainda outras dúvidas. O estopim mais recente traz como protagonistas uma torcida organizada que foi afastada dos estádios após protesto contra Ricardo Teixeira e um atleta que teria peitado os chefes pela falta de ação no caso de um colega agredido.

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Na terça-feira da semana passada (11/10), quando todos souberam a respeito da agressão ao volante palmeirense João Vítor em frente à loja do Palmeiras, a primeira reação foi rechaçar a veracidade da ainda suposta ação de quinze torcedores contra o jogador alagoano, seu pai e um amigo.

Depois, com as primeiras imagens de celular divulgadas, surgiu a dúvida de como se dera a agressão. Numa cena aparece o atleta e um amigo “em cima” de um torcedor e na seguinte, claramente cortada, ele já aparece com a camisa rasgada.

João Vítor disse que um torcedor, com calça da Mancha (Alvi)Verde teria chutado o seu carro e a discussão começaria ali. O torcedor foi o primeiro a prestar depoimento na polícia, dizendo que o jogador haveria se irritado com as críticas dele, afirmando que um boleiro daquele nível não deveria andar com um carrão enquanto o time vai muito mal. Como a sede da Organizada fica bem perto, outros torcedores teriam ido “ajudar” o companheiro.

Mesmo Luiz Felipe Scolari, em entrevista após a partida contra o Flamengo, no dia seguinte, optou por não defender o jogador ou atacar os torcedores. Disse que ali “não há nenhum santinho”.

Vale lembrar que a Mancha foi a que fez o principal protesto contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no clássico contra o Corinthians, em agosto. No mesmo dia, num conflito com policiais militares em torno do estádio, dois torcedores palmeirenses foram baleados – e não eram balas de borracha!

Na mesma semana, o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, que também é conselheiro do clube, assinou ofício proibindo a entrada da Torcida Organizada Mancha Alviverde dos estádios em São Paulo. Rapidez, no mínimo, curiosa e que nunca ocorreu no país.

Sem atacar ou defender as organizadas, que tem a maioria dos seus membros ligados a conselheiros e diretorias – que diga certa torcida que teria ganho R$ 1 milhão para aturar, e pedir autógrafos, a certo iraniano líder de lavanderia –, a história foi passada de forma indiscutível: a T.O. haveria realizado uma emboscada ou algo parecido.

Mas os problemas não pararam por aí. Afinal, isso é Palmeiras...

De ídolo a Judas

Poucas horas depois da notícia da agressão a João Vítor, os sites noticiavam que os atletas teriam resolvido não seguir viagem ao Rio de Janeiro, onde enfrentariam o Flamengo, após terem se assustado com o que ocorreu horas antes. Boatos davam conta de que eles poderiam fazer até greve e não entrar em campo.

Não demorou para aparecer outra crise; Kleber teria discutido com o vice-presidente de Futebol Roberto Frizzo e com Felipão, que realizaram uma conciliação entre eles quase inédita, porque a diretoria não manifestou repulsa ao ocorrido. No meio da discussão, o “Gladiador” chegou a apontar o técnico como culpado da agressão ao colega, por jogar o time contra a torcida, pois sempre fala que pretende contratar outros jogadores para o ano que vem.

Num choque de “gigantes”, Luiz Felipe disse que Kleber nunca mais jogaria consigo e o atleta foi afastado do grupo. A diretoria até voltou atrás da preocupação em demitir o jogador por conta das multas que pode pagar, mas que ele volte a atuar com a camisa alviverde, aí é difícil.

Se Felipão não é unanimidade no elenco, Kleber muito menos. Quer dizer, nem entre a organizada já aqui supracitada, a quem sempre foi “leal”, mesmo na época em que vestia a camisa do Cruzeiro. Na partida de domingo, alguns torcedores mostravam uma camisa em que ele aparecia como “Judas”. Semanas antes, alguns realizaram protesto em frente ao apartamento do atacante. Kleber quase saiu do Palmeiras após tentadora proposta do Flamengo e desde junho só marcou um gol pelo time.

Quem apagou o incêndio, ou parte dele, foi o goleiro Marcos, que mesmo sem atuar para se recuperar de dores no joelho esquerdo, ligou imediatamente para o presidente do Sindicato dos Atletas de São Paulo para saber o que poderiam fazer. Além disso, mostrou aos jogadores que era importante atuar.

Brigas que marcaram o futebol

Não são raras as brigas envolvendo jogadores e treinadores. Em 2006, Carlos Alberto e Emerson Leão discutiram na beira do campo, quando ambos estavam no Corinthians. A briga só terminou porque atletas e a comissão técnica intervieram. O time corintiano perdeu para o Lanús por 4x2 e acabou eliminado da Copa Sul-americana daquele ano.

Em 2007, Vanderlei Luxemburgo e Marcelinho Carioca, que se “aturaram” no Corinthians e na Seleção, discutiram fortemente no extinto programa Por Dentro da Bola, de José Luiz Datena. A briga foi tão áspera que o apresentador teve que intervir chamando os comerciais.

No último domingo, o atacante Miralles, do Grêmio, veio a público queixar-se da falta de respeito do técnico Celso Roth com ele. O atleta viajou para Santos e não foi relacionado nem mesmo para o banco de reservas.

Segundo Roth, falta comprometimento tático e disposição durante os treinamentos. O técnico tem fama de arrumar encrenca com jogadores por onde passa. Foi assim em sua passagem pelo Internacional, e na anterior no mesmo Grêmio.

Felipão x imprensa

Mas o técnico Luiz Felipe Scolari vai além. Marcado por formar “famílias” por onde passa, apesar dos problemas no Chelsea (ING), na recente passagem pelo alviverde paulista ele já brigou com jornalistas, dirigentes, empresários e jogadores.

Ele nunca demonstrou muito apreço pelo trabalho da imprensa (embora muitas vezes seja mesmo difícil), mas na sua volta ao Brasil a paciência do técnico “pentacampeão” parece ter se esgotado.

Em recente entrevista para o jornalista (e agora também filiado ao PPS) Jorge Kajuru, ele não escondeu certa mágoa com a mídia esportiva pela forma como o tratou no seu período à frente da Seleção. A Globo teria até montado manifestações contra ele na época da convocação para a Copa – quando o Brasil, inclusive o presidente FHC, queria Romário.

Muitos dizem que o treinador palmeirense já está cansado do convívio do futebol, e que já está na hora de aposentar-se, mas a mídia brasileira costuma levar tudo para o lado pessoal.

Em outubro de 2010, Felipão chamou um repórter de palhaço por achar que uma pergunta foi provocativa. No jogo seguinte todos os jornalistas foram para a coletiva de imprensa usando um nariz de palhaço. Após uma reunião com o sindicato de profissionais, um acordo de paz foi selado.

Este ano o relacionamento entre Felipão e a imprensa ruiu ainda mais. Primeiro, tentou agredir um fotógrafo após a derrota para o Botafogo no Engenhão. No aeroporto, ao voltar com o time da partida contra o Flamengo, insultou outro fotógrafo ao mandá-lo fotografar seu p...

Seguidamente o técnico resolve proibir os jogadores de darem entrevistas, fato que revolta os setoristas, e aí os coleguinhas usam sem dó nem piedade o espaço da mídia destinado ao Palmeiras para criticar o técnico.

Técnico x parceria

Luiz Felipe também entrou em atrito com a Traffic, empresa que pertence a J. Hawilla – alguns dizem até que não... A empresa chegou a ser a principal investidora do Palmeiras, mas abandonou o barco há algum tempo, optando por colocar jogadores em vários clubes.

No início do ano, um atleta formado na base teria forçado sua venda para a Itália. O atacante Vinícius tinha porcentagem da Traffic – como muitos outros jogadores, repartidos em forma de pizza. O técnico tirou o outro atleta pertencente ao grupo da relação de jogadores, o meia Tinga, alegando defender o Palmeiras, e não aceitar escalar jogadores para colocá-los na vitrine, não interessando a qual empresário os jogadores pertencem.

Confusões a parte, fato é que Felipão, mesmo sem fazer uma grande campanha desde que saiu do comando da seleção de Portugal, em 2008, tem um amplo mercado de atuação, tanto em grandes clubes brasileiros quanto em times portugueses ou seleções de menor porte.

O contrato com o Palmeiras vai até 2012. Há quem duvide que ele continue, principalmente pela diretoria sempre sofrer pressão da oposição (leia-se Mustafá Contursi) por conta do alto salário ganho por Scolari. Ele fica até quando quiserem. Já os problemas, ninguém sabe quando acabarão.






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