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Coluna Além das Quatro Linhas •


# Vai ter Copa, mas...junho de 2014, no dia do início da Copa de 2014


Diversas obras foram feitas a toque de caixa, terminando em estádios pouco testados, como por exemplo, o estádio Mané Garrincha, em Brasília.

12 de junho de 2014 – Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

O título dessa coluna faz referência aos movimentos sociais que ganharam força no Brasil a cerca de um ano. A hashtag Não vai ter Copa, era (ainda é) usada como forma de protesto contra a política brasileira. Ninguém em sã consciência imaginava que realmente a Copa no Brasil não sairia. O Objetivo era (é) somente chamar a atenção para os gastos que o governo estava fazendo para agradar a DONA FIFA. Na verdade o volume de gastos nem é tão grande, compara-se com o da Copa da Alemanha e, convenhamos, R$ 100 bilhões para o orçamento da União não é muito, ainda mais quando os investimentos são contratualizados para obras na forma de empréstimo. O problema foi enfiar goela abaixo a Copa do Mundo, acatar o caderno de encargos da FIFA, aprovar a famigerada Lei Geral da Copa e ainda por cima enfiar estádio novo em no Mato Grosso (Cuiabá) e Amazonas (Manaus), sendo que no Centro-Oeste tem futebol o ano todo em Goiás e no Norte, no Pará.  A Copa serviu como um estopim para catalisar a força das ruas, isso sim. Tudo conforme fora previsto nos Comitês Populares da Copa que agora saem na CNN toda semana. O preço social: milhares de remoções de famílias e o encarecimento do solo urbano, retro-alimentando a especulação imobiliária. Isso sim, “não tem preço”. 

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Mesmo com as muitas obras inacabadas, dinheiro público em estádios privados, protestos nas ruas, os brasileiros estão prestes a desfrutar – na verdade já desfrutam, em especial os que podem pagar - de um momento histórico, o melhor campeonato de futebol do mundo. Cabe ao povo não deixar que a emoção do futebol apague as lutas das ruas. O futebol que sempre foi considerado por alguns o ópio do povo, também opera como o principal instrumento que motivou multidões a irem às ruas reivindicar melhorias. Ficou claro que o Brasil é um país rico, e que não há investimento em áreas essenciais como saúde, segurança e educação por escancarada preferência ao capital financeiro, escamoteado pela falta de planejamento ou má vontade. E que o povo não é tão acomodado quanto muitos querem acreditar.

 

Obras inacabadas, ah vai assim mesmo

O que todos já esperavam acabou se confirmando. Diversas obras foram feitas a toque de caixa, terminando em estádios pouco testados. Os aeroportos e as vias urbanas continuam um canteiro de obras. O grande legado é sem dúvida a luta popular que o fator Copa do Mundo provocou. A infra-estrutura desejada, talvez a tenhamos depois do mundial, enquanto isso, nós teremos que nos contentar com muitos tapumes e trânsito caótico. O metrô é a única solução para as grandes cidades e Regiões Metropolitanas com transporte multimodal integrado.  Para a Copa, sonho meu, ah sonho meu....

O mais surpreendente são os estádios, esses mesmo como muita verba pública apontam diversos problemas e correm contra o tempo. Tal é o caso do Itaquerão (esse nome causa arrepios em Andrés Sánchez), Arena da Baixada, Arena Pantanal e Arena das Dunas. Outros, como o Mané Garrincha e Beira-Rio, estão prontos por dentro, mas o entorno é preocupante. O jogo de empurra-empurra entre construtoras, clubes e poder público para saber quem arcaria com as despesas ocasionou demora. Não é necessário dizer de qual bolso saíram as verbas para conclusão.

Outro sério agravante para o atraso nas obras foram as mortes de operários durante a construção das arenas. Ao todo oito operários morreram durante a jornada de trabalho. Três na Arena Corinthians, três na Arena da Amazônia, um no Mané Garrincha e um na Arena Pantanal. Os acidentes teriam sido provocados por jornadas longas de trabalho e desvio função.

Tudo que Blatter e sua trupe fizeram foi redigir notas oficiais lamentando a morte dos operários, mas não pensaram e fiscalizar de forma apropriada, afinal o que importa é que vai ter Copa. É hora da FIFA, a Geni  do futebol, faturar. Andrew Jennings e cia., esquentem os dedos, vão ter de tirar mais um livro após o Brasil 2014.

 

É possível torcer pela seleção

A discussão do momento é se é possível torcer pela seleção canarinho. O futebol dentro de campo não deve influenciar no que ocorre além das quatro linhas. Será?  Se tomarmos os bons exemplos do futebol, dá para torcer. Retomemos a memória do avante chileno Carlos Caszely, que briosamente enfrentou a ditadura de Pinochet e nem assim deixou de defender a seleção do país. No Brasil, Afonsinho e Sócrates puxam a fila da ala esquerda dos craques tupiniquins. É verdade, são poucos; não tão poucos como a mídia os torna invisíveis, embora ainda raros dentro do volume de boleiros profissionais.

O problema dos dias que correm é a profusão de marcas caminhando lado ao lado da bola. Por isso, pelas disputas comerciais entre Nike e Adidas, é que está quase impossível a distinção desde que o esporte bretão passou a ser ultra-mercantilizado. Inúmeros interesses que rodeiam o esporte mais popular do mundo. Em ano eleitoral, o futebol pode ser um instrumento de manobra tanto do atual governo em caso de vitória, como da oposição se vier a derrota dos comandados de Felipão. Na beira do campo, tem governista que não dá bola para futebol torcendo mais que geraldino no antigo Maracanã e, do outro lado do palanque, tucanos e neo-udenistas fazem a corrente para trás, desejando o pior dos mundos para a seleção. Papelão de ambos.

Vale lembrar do lema da contra-ofensiva Montonera em pleno Mundial de 1978. A insurgência argentina lançou uma consigna inesquecível: “Argentina campeón, Videla al paredón!”. Que sirva de exemplo, embora ao sul do Brasil los hermanos argentinos y uruguayos tenham tanta hinchada como a camisa amarela tem de torcida no Nordeste.  

 

O Fenômeno mudou de time

Ronaldo Nazário é mesmo um fenômeno, só que de cara de pau. Como um dos membros do Comitê Organizador Local (COL), passou quatro anos defendendo a Copa do Mundo do Brasil, e apontando os benefícios que esta traria. Inclusive com declarações polêmicas como "Copa do mundo não se faz com hospitais" e "os gringos não conhecem nosso jeitinho brasileiro de fazer as coisas".

Agora, o ex melhor do mundo se diz constrangido pelas críticas da FIFA, e lamenta pela falta de legado que as obras de infra-estrutura poderiam trazer para a sociedade como um todo. Se alguém sentiu cheiro de palanque e fedor de marqueteiro eleitoral, acertou.

O objetivo do fenômeno é se eximir de qualquer culpa, e jogar a responsabilidade para o governo federal. Ronaldo atucanou, passou a ser aliado de Aécio Neves (PSDB, o impagável senador tucano, ex-governador das Minas Gerais e carioquíssimo de espírito e costumes) na campanha presidencial. A intimidade é tamanha que inclusive os dois postaram um foto juntos nas redes sociais enquanto assistiam o jogo do Cruzeiro, na casa do fenômeno, pela Libertadores. Um mito dos gramados começa a cair em total descrédito (se é que ainda tem algum) com o povo brasileiro.

O ex-jogador, agora empresário não tem motivos para se preocupar, sua fortuna cresce aceleradamente com as campanhas publicitárias, o que o torna um “fenômeno” de mercantilização também fora das quatro linhas.

Observação politicamente incorreta embora sincera: o Fenômeno já vai se confundindo novamente, assim como o fez numa noite infeliz na Barra da Tijuca. Depois diz que não se lembra e foi “surpreendido”. Conclui a presepada dando entrevista exclusiva ao Fantástico e ninguém fala mais nisso, nem em arquibancada! A coisa esfriou, mas para inglês ver malandragem, para gringo acreditar e bater palma depois de jogar amendoim diante de tamanha palhaçada.

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com)

Bruno Lima Rocha (blimarocha@gmail.com / www.estrategiaeanalise.com.br)






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