Estratégia & Análise
ISSN 0033-1983
Principal

Artigos

Clássicos da Política Latino-Americana

Coluna Além das Quatro Linhas

Coluna de Rádio

Contenido en Castellano

Contos de ringues e punhos

Democracy Now! em Português

Democratização da Comunicação

Fale Conosco

LARI de Análise de Conjuntura Internacional

NIEG

Original Content in English

Pensamento Libertário

Publicações

Publicações em outros idiomas

Quem Somos

Sobre História

Sugestão de Sites

Teoria



Apoiar este Portal

Apoyar este Portal

Support this Website



Site Anterior




Creative Commons License



Busca



RSS

RSS in English

RSS en Castellano

FeedBurner

Receber as atualizações do Estratégia & Análise na sua caixa de correio

Adicionar aos Favoritos

Página Inicial












































Coluna Além das Quatro Linhas •


Propostas de mudanças no futebol brasileiro

lancenet.com.br

Teixeira saiu e propostas para mudar a gerência do futebol no Brasil apareceram. A do Lance! é a mais completa

04 de abril de 2012 – Anderson Santos (editor) & Dijair Brilhantes

Com a renúncia de Ricardo Teixeira do comando da CBF, muito se espera do futebol brasileiro no que diz respeito a mudanças. Estas ainda não ocorreram e parecem longe de acontecer.

Desde a saída do dirigente, e sua substituição pelo “malufismo” de Marin, algumas pessoas envolvidas com o futebol passaram a propor mais coisas, avançar de uma simples crítica para comentários que ajudem a modificar a situação atual. Dentre as principais, está a do portal esportivo Lancenet!, que sugeriu nove mudanças importantes.

enviar •
imprimir •

Primeiro foi Raí, que “herdando” - da sua maneira - a criticidade do irmão Sócrates, propôs que ex-jogadores de futebol se unissem para pressionar por mudanças reais na CBF. A primeira proposta é exigir que José Maria Marín proíba a reeleição no cargo de presidente da entidade para, no mínimo, gerar um rodízio em termos de nomes.

No mínimo porque não necessariamente há pluralidade no campo de atuação política e para o esporte. Como já muito colocado, temos 27 federações estaduais e, provavelmente, uma ou outra se “salve”, muitas acostumadas a ficar a mercê da CBF e de seu principal líder. Algo parecido se reflete em alguns grandes clubes do país, eleição após eleição, onde até as alternativas podem se render aos velhos políticos do futebolês.

O nome que Raí queria ver já na entidade é do seu companheiro da época de São Paulo, de Seleção e do Projeto Gol de Letra: Leonardo. Atualmente dirigente do novo rico Paris Saint-Germain, teria a experiência adequada para gerenciar a CBF do jeito que se devia – ao menos na opinião de Raí.

Mas quem se apresentou como candidato foi o capitão da Seleção de 1970, Carlos Alberto Torres, de 67 anos. Torres pediu o apoio de, pelo menos, oito federações e cinco clubes, que se faz necessário para uma possível candidatura. Além de garantir apoiadores internacionais, o lema já até parece criado: “querem estar do lado sério? Vem comigo”.

Não são nomes isolados que “salvarão” o dia, portanto, mais do que se apresentar enquanto alternativa, precisa-se mostrar que se segue por um caminho alternativo na prática. A política cotidiana brasileira mostrou isso com clareza desde a abertura, no futebol não seria diferente.

Propostas do Lancenet!

O grupo Lance!, através do Lancenet!, resolveu lançar oficialmente nove propostas que deveriam ser implementadas para uma “moralização” e organização transparente do futebol nacional. O ponto de partida seria “seguir o futebol europeu”, numa visão que desde já mereceria algumas críticas. Enfim, analisemos cada uma das propostas:

1- Uma nova gestão

Mudança estatutária criando o Conselho de Administração (CA), abaixo do qual se situaria a diretoria executiva, profissional, responsável pela gestão cotidiana. Abolindo a eleição para presidente da CBF com candidato único, o primeiro CA teria caráter “constituinte”, para mudar o estatuto da entidade. Os clubes que disputam qualquer uma das quatro divisões do Campeonato Brasileiro, não só a primeira como atualmente, teriam direito a voto e indicação à composição das chapas.

A proposta do Lance! Trata do CA como um órgão formado por “brasileiros de alta reputação e compaixão pelo futebol”, e que não terão remuneração. De primeira fica a pergunta: quem definirá a reputação de alguém? Pergunte-se a Andrés Sanchez, Ronaldo e cia. e eles dirão que Teixeira se encaixaria nessa definição – já Marín, só o Del Nero mesmo...

Outra preocupação apresentada é quanto à escolha dos membros dessa diretoria tendo em conta que há vários políticos interessados no futebol, das mais distintas estirpes. Seria interessante ou não propor quem não poderia ser candidato? – apesar de isso só poder ocorrer com a mudança no estatuto pelo CA constituinte.

Complicado responder, pois envolve a liberdade que as entidades privadas ou paraestatais têm garantidas na Constituição. Além disso, trata-se das liberdades individuais – por mais que esse tipo de coisa só apareça para quem “importa”. Mas evitar que personagens “escusos” entrem na entidade, e mesmo com um conselho, tentem “imperar”, seria interessante, por mais difícil que seja.

2- O Uso de receitas

50% da receita bruta da CBF passaria a ser direcionada, sem passar pelos cofres da entidade, indo a um Fundo de Fomento ao Futebol, que financiaria os clubes e as competições entre clubes promovidas pela CBF. Parte dos recursos do fundo seria empregado no pagamento integral das despesas de passagens, hospedagens e arbitragem da terceira e quarta divisões do Campeonato Brasileiro, tentando aumentar a competitividade das divisões de acesso.

Boa e interessante proposta, já que poderia diminuir a diferença entre a rica entidade nacional e os endividados afiliados, garantindo uma fatia para os times que mais precisam, das divisões inferiores. Além de permitir que regionais “descapitalizados” pudessem seguir existindo. Apesar de a proposta diminuir os regionais – o que se verá a seguir –, há Estados que mal conseguem realizar um torneio, quanto mais enviar representante para competição nacional...

3- O Papel Social

Às atividades profissionais da CBF, prioritárias, devem ser agregadas a uma forte atuação social, usando o futebol como ferramenta de inclusão, voltada para crianças e adolescentes, incentivado a prática esportiva.

4- A mudança do calendário

A tão sonhada mudança no calendário para adaptá-lo aos dos grandes eventos de clubes e seleções e ao modelo praticado na maior parte do mundo, com pré-temporada no mesmo período dos clubes europeus, permitindo excursões mundo afora. Os estaduais seriam realizados no início da temporada e não podendo exceder dez datas, para não extrapolar o número de jogos razoável, evitando prejuízos econômicos.

Vamos jogar contra, desta vez. É óbvio que a tabela do futebol brasileiro fez com que vários clubes perdessem importantes jogadores ainda no início do Campeonato Brasileiro, podendo também contratar no mesmo período, mas o que atrapalha na formação da equipe.

Também é claro que o período atual de pré-temporada é ínfimo, com uma ou duas semanas apenas de antecedência aos jogos, precisa-se readequar os principais estaduais do país. De fato e de direito, não se deve alterar os dias de férias dos jogadores – por mais que eles joguem mais na folga que durante os dias de trabalho...

Porém, a questão dos estaduais é mais profunda. Vai ao encontro de uma ampliação da proposta de número dois. Estamos vivendo um momento, São Paulo que o diga, em que clubes tradicionais naufragam perante clubes-empresa. O modelo de gerenciamento e apoio financeiro tem de evoluir.

Nas nossas cabeças não entra a ideia de exterminar estaduais de locais em que a disputa regional é fortíssima e, geralmente, que garante os confrontos entre os principais clubes do Estado, casos de Alagoas, Sergipe, Paraíba,...

A questão do déficit dos grandes clubes deve ser melhor analisada, partindo da análise do porquê disso ocorrer. O que mudou na estrutura que se tinha de prioridade aos Estaduais para o que acontece hoje? É um problema que vai no âmago da estrutura futebolista nacional.

Ano que vem, se tudo ocorrer nos conformes, o Nordeste voltará a ter seu campeonato regional (de fato), modificando as fórmulas dos Estaduais, fazendo com que mudem seu formato. Será um grande teste para novas fórmulas. Só esperamos que a mídia nacional olhe para isso com o devido merecimento – para evitar que se acabe com uma boa ideia, como em 2002, devido aos “grandes centros”.

5- A formação de ligas

A criação da tão sonhada Liga Nacional de Clubes, um dos projetos engavetados pelo Clube dos 13. Seria uma tentativa de arrecadar mais nas negociações pelas cotas de TV e deixar os campeonatos mais atrativos, usando como exemplo o milionário futebol europeu.

Os clubes brasileiros tiveram a chance de serem pioneiros quanto a isso em 1987, com a Copa União, mas rapidamente foram abafados da ideia, com o colapso recente do Clube dos Treze mostrando a que interesses o futebol brasileiro está realmente conectado. Para mudar agora, criando uma nova Liga, precisa-se primeiro mudar a estrutura do futebol, a partir dos clubes.

Sobre o “milionário futebol europeu”, é fato que os valores aumentaram de forma estrondosa da década de 1990 pra cá. Mas também se deve ter um cuidado especial ao usá-lo como exemplo no atual período. As greves dos jogadores na Espanha e na Itália mostram que o “paraíso” não é tão perfeito assim...

6- Segurança nos estádios

A falta de segurança nos estádios é um dos itens mais preocupantes. A CBF deve ser a articuladora e cobradora da implementação das novas políticas de segurança para o torcedor. Cobrando o judiciário o bom funcionamento dos tribunais. Assim atraindo um maior público e gerando um verdadeiro espetáculo de entretenimento.

Tratamos deste assunto na coluna passada. O Estatuto do Torcedor foi um grande avanço, mas, como muitas outras leis no país, precisa ser aplicado e fiscalizado – como o Lance! o faz, deixando um Serviço de Atendimento ao Torcedor para que se reclame de irregularidades vividas (sat.lancenet.com.br).

Falta uma maior disseminação dos nossos direitos enquanto torcedores. Não adianta tratar do Estatuto só quando há baderna de “torcedores” organizados. O “espetáculo de entretenimento” precisa levar em conta o melhor tratamento para quem deveria ser a parte mais importante dele. Afinal, quem será o sócio, comprará as coisas do marketing e pagará o ingresso para apoiar o clube?

A cobrança por mais segurança tem de ser amplificada para todas as áreas sociais. A violência entre “torcedores” organizados é algo do futebol ou é reflexo do que vivemos no nosso cotidiano? Como dizer a um desses que devem que se preocupar com julgamento se vários e vários nomes “importantes” sequer têm procedimento de investigação concluído? O caso de quem saiu da CBF é um deles.

7- Nova arbitragem

Profissionalizar a arbitragem. Todos que trabalham no meio do futebol são profissionais, menos os árbitros. Garantir a plena independência da comissão de arbitragem da entidade é impedir as formas de pressão.

É grande a concordância sobre esse ponto. A questão é garantir os direitos trabalhistas para os árbitros, com salários adequados aos milhões envolvidos no jogo ou não? Precisa-se, também, garantir formas de análise de rendimento mais adequadas a eles, independente até de profissionalização. As comissões de arbitragem precisam deixar de ser nicho de fulano ou sicrano – como tanto reclamam alguns técnicos e dirigentes de clubes.

8- A justiça desportiva

A Justiça Desportiva deve ser um braço do Judiciário Federal, remunerada em orçamento, e autonomia em relação às Federações e Confederações.

9- Combate à pirataria

A CBF deve ter o compromisso prioritário de combater a pirataria dos produtos oficiais dos clubes, por meio de gestão política para se estabelecer convênios com a secretaria da Receita Federal e com a Confaz, visando o aumento da arrecadação dos Estados e da União. Poderia se estabelecer um percentual de contribuição dos clubes/fabricantes para programas sociais, assim gerando um incentivo a mais para a compra de produtos oficiais.

Não podemos ser contra a venda de produtos não licenciados enquanto os clubes continuarem cobrando por camisas oficiais a bagatela em torno de R$ 180,00 – no caso da Seleção, mais de R$ 200,00. Os torcedores de classes menos privilegiada também têm o direito de demonstrar o amor pelo seu clube com produtos alternativos (não oficiais).

Antes de se criticar a pirataria por “tirar dinheiro dos clubes” é necessário lembrar que uma nova camisa oficial retiraria quase 1/3 do salário (bem) mínimo de alguém. Uma nova política de preços ajudaria e muito para reduzir a pirataria em qualquer setor industrial.

Por exemplo, o que importa para o torcedor se a camisa é “Dry-Fit”, se ele só a usaria para ir ao jogo? Sendo que essa “tecnologia” aumenta o valor do material a ser vendido para ele?

Sugestões

As análises sobre as propostas são pessimistas, é verdade, mas procuramos com elas dar uma contribuição crítica a quem as propõe, inclusive por sabermos que são as melhores intenções envolvidas nisso. O interesse, por nós também dividido, é de que o futebol brasileiro melhore e, para isso, a discussão sobre ele deve ocorrer de forma séria e em maior quantidade de espaços possível.

(Para quem quiser nos ajudar criticando e/ou sugerindo novas propostas e assuntos, entre em contato através dos e-mails andderson.santos@gmail.com e dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com)






« voltar