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Coluna Além das Quatro linhas – Semana de 27 junho de 2011

chargesdomaglor.wordpress.com

Hora de desmontar barraca! Troca de cidades vai ficando cada vez mais comum para clubes no Brasil

Dijair Brilhantes, Anderson Santos e Bruno Lima Rocha

Eles vendem sua paixão!

Você já deve ter ouvido falar que um homem muda de casa, estado, país, partido político, religião e até mesmo de mulher, mas não de time de futebol. Você também não deve ter mudado de time, mesmo após derrotas doloridas, títulos perdidos e flautas dos rivais. Mas alguns times deixam seus torcedores, mudam de cidade.

O caso mais emblemático é o paulista Grêmio Barueri. Pouco mais de um ano após chegar a Presidente Prudente, o time foi novamente “vendido”, e voltou à cidade de origem.

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O agora Grêmio Barueri LTDA foi fundado em 1989, mas só foi atuar profissionalmente em 2001, quando se passou a chamar Grêmio Recreativo Barueri. Até que em 2009, os dirigentes do time resolveram transformá-lo em clube-empresa – modelo que naufragou aos cartolas brasileiros no final da década de 1990, casos das parcerias Vitória S.A., com financiamento do Banco Excel Econômico (este vindo de uma incorporação de falência suspeitíssima do antigo Banco Econômico, sendo que o próprio Excel, fundado em 1990, depois é vendido para o BBVA; vale lembrar que três ex-diretores do Excel-Econômico foram condenados em 2006 pela Justiça Federal da Bahia por gestão temerária), que também ajudou o Corinthians que viria a ser bicampeão brasileiro em 1998/1999, Grêmio/ISL (esta é inesquecível para os gremistas, e as memórias são piores do que o mito da cobra cega e as ovelhinhas de Tite...).

Entretanto, a prefeitura disse que não investiria num bem privado, entendendo um clube esportivo como bem cultural coletivo. Enquanto empresa, não poderiam aproveitar o reformado estádio municipal da cidade que, para atender às demandas de um clube recém-chegado à Primeira Divisão nacional, foi transformado num dos melhores do país.

Restou à empresa mudar de cidade, distintivo e nome. Pois, como se sabe, o capital migra, não tem pátria e nem apego. Seria essa uma versão do futebolês para a vergonha da guerra fiscal entre os estados brasileiros? O Grêmio foi para Presidente Prudente, para jogar num dos mais antigos estádios de São Paulo – o mesmo Prudentão que o agora aposentado Ronaldo fez seu primeiro gol pelo Corinthians, no derby com o Palmeiras, em que “ajudou” a derrubar o alambrado na comemoração. No distintivo, o Grêmio Prudente destacava o nome Grêmio.

Como Prudente, o Grêmio teve vida curta, disputou somente dois campeonatos, as primeiras divisões do Paulista e do Brasileiro, sendo rebaixado em ambos. Os donos do clube resolveram negociar o retorno com o prefeito de Barueri, que pagou o valor da multa exigida pela Federação Paulista de Futebol, cerca de R$ 300 mil – que a FPF tende a aumentar o valor, dada a freqüência de trocas -, e trouxe o clube-empresa de volta para a cidade.

Dúvida cruel. Será que se alguém montasse uma “lavanderia heterodoxa” não seria ao menos algo mais honesto?

A moda segue na Série B

Outra cidade do interior paulista também tem desde o início do ano time de futebol no cenário nacional: o Americana Futebol LTDA. Os donos do Guaratinguetá pediram cerca de R$ 6 milhões para a prefeitura do município de mesmo nome para permanecer na cidade, mas o prefeito não conseguiu arrecadar o dinheiro junto à iniciativa privada. O clube-empresa resolveu mudar-se para Americana, onde disputou o Paulistão e está mandando os jogos da Série B nacional. Um dos destaques do time é o “artilheiro dos gols bonitos” Dodô.

Já em Minas Gerais, foi o Ituiutaba que mudou de cidade e de nome. Fundado em 1947, o clube mudou-se para a cidade de Varginha – aquela dos supostos Extra-Terrestres na década de 1990, devidamente “laudados” por Badan Palhares e cia., PC Farias que o diga –, no sul do estado mineiro. O agora Boa Vontade Esporte Clube se mudou por um motivo mais “nobre”. Segundo os dirigentes, o antigo estádio, a Fazendinha, não tem capacidade para dez mil pessoas, exigidas no Estatuto do Torcedor para competições nacionais, caso da Série B, em que o time realiza sua estréia em 2011.

Ah, não podemos jamais nos esquecer que o empresário (Grupo OK, sócio de Paulo Octávio, que era vice de Arruda e amigaço de Collor!) senador candango cassado Luiz Estevão (PMDB/DF) – uma proeza, por haver sido o primeiro na história da Nova República – figura como dono do Brasiliense F. C. (fundado no ano 2000) da cidade satélite de Taguatinga.

Por aqui não é diferente

Um dos mais tradicionais clubes de Porto Alegre também ira mudar de sede. Com 97 anos de história, um título estadual da primeira divisão gaúcha, e três campeonatos citadinos, o Sport Clube Cruzeiro de Porto Alegre irá se mudar para Cachoeirinha, na região metropolitana, deixando órfãos seus torcedores e simpatizantes.

O presidente do “Cruzeirinho”, que foi às semifinais dos dois turnos do Gauchão deste ano, vendeu o estádio do Estrelão para uma construtora. A promessa é fazer um centro de treinamentos e uma arena com capacidade para 16 mil pessoas nos padrões FIFA, para candidatar-se à sub-sede gaúcha na Copa de 2014.

E o torcedor como fica?

Que o futebol moderno virou um grande negócio, disso não temos dúvidas. Mas parece não haver limites. Cartolas só tornaram mais claro com as mudanças de sedes o caráter econômico desse bem cultural (sem limite de preço e valor!) tão importante para o brasileiro. Eles vendem estádios, criam dívidas impagáveis (haverá uma bolha inflacionada por empresários e investidores?!) e a paixão do torcedor é colocada de lado – vale lembrar que o Sport Club Internacional só terminou com o caixa azul no ano passado após a venda do histórico Estádio dos Eucaliptos (ué, e os aportes do Grupo Sonda?!).

Imagina se o Corinthians saísse de São Paulo? Mesmo que tenham torcida no país todo, a capital paulista é seu lugar de origem. Se Grêmio ou Internacional fossem embora da capital gaúcha, como ficaria a rivalidade?

Essa situação só piora no caso de cidades do interior como Barueri, Presidente Prudente, Guaratinguetá e Ituiutaba. Nesses locais não há times disputando os principais torneios do país, restando aos seus moradores torcerem pela televisão para os grandes clubes do estado.

Como seria se um presidente do Brasil de Pelotas, recém-eliminado da Segunda Divisão Gaúcha, mas que teve ao menos duas mil pessoas por jogo em casa, resolvesse contrariar a sua apaixonada torcida e mudasse para outra cidade, com melhores condições financeiras? É possível supor que a Baixada comandaria uma revolta popular pelotense, ressuscitando o espírito quilombola entre os descendentes dos sofridos escravos de saladeros?! Nós, daqui do outro lado do monitor, sinceramente esperamos que sim...

O futebol é mais dinheiro que paixão

No futebol podemos ver mais de perto, sentir algumas das contradições do capital: manter a paixão de torcedores que cresceram com o time jogando ao lado das suas casas ou trocar de sede por dinheiro líquido (mesmo que em base monetária imaterial) para garantir a existência no mercadológico mundo do esporte televisivo?

O caso do Cruzeiro gaúcho é emblemático. O time escolheu a segunda opção para sair da Porto Alegre Gre-Nal de forma a ser o único time de outra cidade, onde poderá garantir mais investimentos. E a prefeitura dessa cidade metropolitana, não estará o prefeito e seu séquito querendo apenas competir com o modelo do Cerâmica de Gravataí, município vizinho?

Cada vez mais se torna difícil um time surgir no cenário nacional se não tiver um bom aporte financeiro, seja através de sua “tradicional” utilização para fins político-partidários ou como time de futebol de uma empresa ou empresário. A paixão dos torcedores tradicionais nos pequenos centros socioeconômicos pode ficar restrita apenas à memória de quem viveu seus áureos tempos de glória.

Esta coluna através de seus articulistas, estão na peleia aberta a braba contra mais esse absurdo!

@Alem_das4Linhas

@PeriscopioRadio






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