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Coluna Além das Quatro Linhas •


Coluna Além das 4 Linhas, semana de 26 de julho de 2010

rivaisdorio.file.wordpress

Roberto Horcades, com o devido apoio e pulso firme do patrocinador do FFC, deu um nó no esquema de Ricardo Teixeira, segurando o técnico Muricy no banco das Laranjeiras

Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

O povo acordou

Em momento algum podemos subestimar a inteligência e o senso crítico de uma nação. Na atualidade, vivendo a era da comunicação eletrônica e instantânea, alimentados pelas redes sociais, as informações (ao menos parte delas), circulam de maneira rápida e com uma boa precisão. Qualquer brasileiro minimamente escolarizado, mesmo sem procurar muito, será atingido pela comunicação mediada. Se passar algumas horas por dia navegando na internet e indo além da banalidade através de sites de relacionamento, vai descobrir o mundo por detrás da cortina do espetáculo...

Com todos esses recursos, não demorou para o povo acordar, utilizando uma parte dos meios de comunicação a seu favor. Apesar do oligopólio e seus controladores (os donos da mídia!), aprendeu- se a tirar algum proveito da circulação infinita dos chamados bens simbólicos e, o que era para ser mais uma tentativa de manipulação, acabou por aguçar a capacidade de avaliação dos leitores, ouvintes, telespectadores, mas principalmente internautas que abastecem com preciosas denúncias a ainda chamada terra de ninguém (internet).

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Cala boca Galvão

Durante a Copa da África houve algumas manifestações que, de certa forma inusitada, demonstraram repudiar a relação dos receptores com a Rede Globo de Televisão. Os brasileiros parecem estar cansados dessa obsessão por parte da emissora de querer a todo tempo formar a opinião do público. Nas campanhas feitas por internautas via Twitter, como o “Cala a boca Galvão!”, e “O dia sem Globo!” repercutiram nacionalmente. Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno trabalha como na mídia esportiva (na verdade como radialista), desde que iniciou na Rádio Gazeta em 1974. Com o passar dos anos Galvão passou além de narrar, fazer comentários (a maioria desnecessários e ufanistas) durante os jogos de futebol e as competições de velocidade. Aos poucos os telespectadores foram se incomodando com suas opiniões, além da visível idolatria por seus ídolos do futebol.

É conhecida a sua inflexão do Rrrrrrrrr de Ronaldo a quem chama de fenômeno; com Kaká (o fiel da Bispa Sônia), Romário (que ao se filiar publicamente ao PSB fluminense confundiu a sigla, pensando estar assinando ficha no PSDB tucano), entre outros. Isto sem falar na paixão por Ayrton Senna, mesmo quando Nelson Piquet ainda corria. Nos momentos que tais atletas não têm o rendimento esperado, ele evita criticar, crendo estar “levantando a moral nacional”, ou qualquer asneira que o valha. Não por acaso, e nos perdoem o trocadilho infame, Galvão galvaniza a ira contra a Vênus Prateada, a nave mãe da mídia tupiniquim, a líder do besteirol e do Febeapá Desportivo; ou seja, a própria Globo e suas afiliadas (RBS incluída, óbvio).

O repúdio contra o narrador não é fato recente. Uma comunidade no site de relacionamentos Orkut de nome eu Odeio o Galvão Bueno existe desde 2004, e possui mais de 90 mil membros. O anúncio da aposentadoria deste narrador feito após o jogo final da copa entre Espanha X Holanda deixou diversas pessoas felizes. Em um comunicado após a partida ele disse ser a última copa dele fora do Brasil, devendo encerrar a carreira em 2014. Já o Dia sem Globo (campanha feita por internautas via Twitter para jogo Brasil x Portugal dia 25 de junho), infelizmente, não atingiu o efeito esperado. Conforme números do Ibope (olho neles também!) a emissora obteve 44 pontos contra 13 da TV Bandeirantes na Grande São Paulo, números parecidos com os primeiros dois jogos.

É possível que a paixão brasileira pelo futebol possa acordar nosso povo na vigilância e no protesto contra os líderes do oligopólio em escala nacional e nos estados. O importante é sabermos que os primeiros passos foram dados, que o povo começa a mostrar-se minimamente descontente com algumas atitudes. Não é o bastante, mas pode ser um começo.


O mico do Rei

Terá o senhor Ricardo Teixeira pago o “mico do ano” ao convidar Muricy Ramalho para comandar a seleção brasileira? Tudo indica que sim. O presidente (dono e imperador) da CBF reuniu-se com o técnico do Fluminense por cerca de uma hora e meia na sexta-feira dia 23 de julho pela manhã. Já no início da noite, Roberto Horcades presidente do clube das Laranjeiras negou liberar o treinador, e disse que o FFC irá renovar com o técnico até o final de 2012. A pergunta que fica: Muricy é o nome preferido do senhor Teixeira ou seria uma forma de vingar-se de Roberto Horcades por ter votado em Kleber Leite (mais um radialista de beira do campo que é diplomado e pós-graduado nas artimanhas da cartolagem) nas eleições do Clube dos 13? Lembrando que no momento do convite o Fluminense lidera o campeonato Brasileiro, e a saída do técnico poderia desmobilizar o grupo de jogadores. Se a idéia era essa, mais um ponto para o cartola pó de arroz.

Com certa dose de sorte, na manhã de sábado Luis Antônio Venker de Menezes, mais conhecido como Mano Menezes, assumiu a difícil missão de comandar a seleção brasileira até a copa de 2014. A dificuldade não está na falta de talento, mas sim nos bastidores conturbados que rodeia a CBF. O presidente corintiano Andrés Sanchez desejou sorte ao treinador e disse que não poderia destruir o sonho de Mano. Sanchez foi chefe da delegação brasileira na copa da África, e tem um ótimo relacionamento com Ricardo Teixeira (já dizia a bisavó, dize-me com quem andas e te direi quem és....), facilitando assim a saída do treinador do Corinthians. Será que nessa negociação de liberar o treinador líder do Brasileiro entra o Piritubão, ou algum novo estádio para os corintianos, quem sabe em Guarulhos, a cidade gigante da Grande São Paulo? Em se tratando de cartolagem e empresas de licenciamento (como a Hicks & Muse, após a MSI, ou no caso gaúcho, com a ISL), podemos esperar de tudo.

Retornando às quatro linhas, nos resta desejar boa sorte a Mano Menezes. Que ele siga com alguns dos acertos do ex-técnico da seleção, o também gaúcho Dunga, não dando privilégios a órgão algum de impressa. Ao mesmo tempo, que tome distância das falácias do pensamento conservador e quarteleiro, conseguindo comandar os boleiros sem necessidade de regime militar.






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