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ISSN 0033-1983
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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

Ministério do Trabalho e concepção sindical

memorialdafama

Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão Metalúrgico, à frente do Sindicato da categoria em São Paulo, símbolo máximo do peleguismo do sistema federativo corporativo. Inimigo dos então autênticos, hoje vê seus herdeiros políticos ocuparem postos e cargos no governo de “esquerda”, cujo ícone foi seu maior rival, Luiz Inácio, de São Bernardo.

10 de novembro de 2011, da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha

Li por obrigação profissional a matéria da revista Veja (edição de 05/11/11) tendo o ministro do Trabalho, o pedetista Carlos Lupi, como protagonista. Para além da já propalada liturgia da queda, senti falta do debate de fundo. O problema pontual passa pelas supostas relações promíscuas entre ordenadores de despesas autorizando projetos de reciclagem de mão de obra e formação profissional. Já a questão que estrutura o ato, a cessão de fundos oriundos da classe trabalhadora sendo devolvidos para entidades vinculadas às estruturas formais de representação, pouco ou nada se nota. Ou seja, nem de longe se aborda o problema da concepção de sindicalismo e as relações de força no interior deste movimento.

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Se por um lado é fato que o Ministério do Trabalho e Emprego deixou acumular prestações de contas e recomendações para aumentar a fiscalização sobre entidades conveniadas (o problema se repete, só muda de pasta), por outro a natureza da atividade deveria ser questionada. O sindicalismo, em tese, para além do ato de representar uma parcela dos trabalhadores formais, não seria o espaço para a reconversão de mão de obra. O Estado brasileiro, atravessado por uma linha de terceirizações, a maioria pífia e com intuito de desmonte, retoma a tradição do antigo bloco pelego-trabalhista, apoiando formalmente a burocracia sindical e assim, arrefecendo a luta de classes. No médio prazo, o resultado é uma incapacidade dos aparelhos sindicais darem uma resposta à altura das ameaças de retirada de direitos.

Tal foi o caso na Espanha, hoje assolada pelo rombo financeiro das instituições bancárias e governos autonômicos. As duas maiores centrais, UGT e CCOO, têm como fonte de renda principal o repasse de verba estatal. A contribuição sindical cotizada pelos filiados equivale a uma média de 17% dos ingressos, sendo que o restante se dá na forma de convênios, repasses e projetos específicos. Quando foi o momento da reação sindical diante da perda de direitos dos aposentados (janeiro e fevereiro último), estas máquinas burocráticas acordam o Pacto Social e assinam o chamado Pensionaço!

Na política nacional é o mesmo efeito nefasto. O atual governo e o anterior, por terem boas relações com as centrais (regularizando-as por sinal), conseguem a proeza de domesticar o que restara de sindicalismo autêntico, aliando-se com os inimigos históricos, oriundos dos pelegos do sistema federativo. Esta é a face sindical do pacto pela tal da governabilidade, incluindo suas óbvias conseqüências.


Este artigo foi originalmente publicado no blog do jornalista Ricardo Noblat






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