Estratégia & Análise
ISSN 0033-1983
Principal

Artigos

Clássicos da Política Latino-Americana

Coluna Além das Quatro Linhas

Coluna de Rádio

Contenido en Castellano

Contos de ringues e punhos

Democracy Now! em Português

Democratização da Comunicação

Fale Conosco

LARI de Análise de Conjuntura Internacional

NIEG

Original Content in English

Pensamento Libertário

Publicações

Publicações em outros idiomas

Quem Somos

Sobre História

Sugestão de Sites

Teoria



Apoiar este Portal

Apoyar este Portal

Support this Website



Site Anterior




Creative Commons License



Busca



RSS

RSS in English

RSS en Castellano

FeedBurner

Receber as atualizações do Estratégia & Análise na sua caixa de correio

Adicionar aos Favoritos

Página Inicial




































































































































































































































































































































































































































































































































































































" target="_blank">



















































































































































































































































]> &acunetixent; " target="_blank">

























































































prompt(941983)" target="_blank">





































































































































































































































































































































Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

A casa da governadora e a guerra midiática


A casa comprada por Yeda Roratto e Carlos Crusius torna-se o foco da guerra midiática levada a cabo na Província do suposto dualismo

4ª, 07 de maio de 2008; Vila Setembrina dos Baguais outrora guascas; Continente da reconquista da Província do Eucalipto; Liga Federal de los Pueblos Libres de Artigas, Guacuray, Ansina y el cacique Tabaré

No início da tarde da última segunda feira, 5 de maio, o secretário de Segurança do RS, o delegado federal Francisco Mallman, entregou aos deputados estaduais membros da CPI do Detran-RS um documento importante. A essência da mensagem é um “nada consta”, de parte de outros três delegados federais lotados na Província, afirmando que a casa da governadora não constava das investigações da Operação Rodin, foco de polêmicas e suspeitas por sobre toda a elite política local. Mallmann enviara ofício a Ildo Gasparetto, seu sucessor na Superintendência da PF no Rio Grande, questionando se a compra do imóvel localizado no valorizado bairro Chácara das Pedras, adquirido por Carlos e Yeda Crusius, fizera parte das investigações. A negativa por parte dos federais pôs ainda mais fogo na CPI. O governo pautou o fato novamente, desmentiu as declarações de um delegado da Polícia Civil, mas não explicou tudo em detalhes, deixando o flanco aberto.

enviar •
imprimir •

O tema veio à tona na primeira batalha midiática, quando o deputado estadual Paulo Azeredo, questionara a Francisco Fraga, secretário de governo do importante município de Canoas, se ele tinha conhecimento de que um imóvel na rua onde reside a governadora havia sido comprado com sobras de campanha. Azeredo se referia à casa comprada pelo casal Yeda Roratto e Carlos Crusius em dezembro de 2006, logo após o término da campanha do segundo turno. Dez dias depois e o assunto voltara.

No dia 24 de abril, o ex-Chefe da Polícia Civil gaúcha, Luis Fernando Tubino, deu uma declaração bombástica. Afirmou, diante da CPI do Detran-RS, que uma parte do dinheiro usado na compra da casa da governadora Yeda Crusius saiu de um cheque do valor de R$ 400 mil assinado por Lair Ferst. Segundo Tubino, a informação tinha chegado através de dados levantados pela Operação Rodin. Este fato fora desmentido pelo documento encaminhado por Mallmann na última segunda 5 de maio. Para os leitores que não são do Rio Grande do Sul, é importante ressaltar que Lair foi o “tesoureiro informal” da campanha tucana para o governo. Também é um dos indiciados pela Polícia Federal na fraude que é abordada pela CPI da Assembléia. No final do mês passado, assim que a mídia local difundiu a denúncia, imediatamente o Piratini reagiu, entrando em ação o secretário de comunicação, o experiente jornalista Paulo Fona.

Não era para menos. O Rio Grande atravessa momento político tenso. O segundo turno de 2006 concluiu com uma vitória de Yeda Crusius (PSDB) sobre Olívio Dutra (PT), por uma pequena margem de diferença de votos. Desde antes da posse da ex-professora de economia da UFRGS que o governo vive situações limite. Já iniciou cometendo a proeza de ser derrotado no dia 29 de dezembro, antes mesmo de tomar posse e tendo à frente da oposição seu vice-governador eleito, Paulo Afonso Feijó.

Apesar de todas as polêmicas e os erros de comunicação, as medidas estruturantes, de base gerencialistas e neoliberais, são muito elogiadas pelos poderes de fato da Província. Yeda governa em dois níveis. Junto a seu gabinete, agrega o chamado núcleo duro, composto essencialmente por tucanos com rótulo de “técnicos”. Todos eles têm bom trânsito na mídia estadual e utilizam a palavra de modo refinado. Como em termos parlamentares a oposição joga duro, embora boa parte dos governistas gaúchos também sejam da base aliada de Lula, a governadora se resguarda. Decide o que importa dentro de seu círculo de maior confiança e coerência teórico (neoliberal) e metodológica (gerencialista).

Quando ocorre uma perda em seu círculo de confiança, como no caso analisado semana passada ocorrido com Ariosto Culau, o Piratini se vê obrigado a apelar para os quadros tradicionais do sub-sistema político gaúcho. O campo de alianças do atual governo conta com todos os partidos com representação na Assembléia à exceção de PT, PSB e PC do B. Abrir espaço para a negociação com outras legendas e concepções é um atraso a mais nos planos estratégicos e as metas traçadas por Yeda junto aos agentes econômicos e as transnacionais operando no Rio Grande do Sul. Considerando que as forças sociais mobilizadas no estado são, em sua grande parte, ainda vinculadas ao governo Lula, a única forma de barrar o projeto de Yeda é atacando-a em sua figura direta. Até agora nada foi provado, e talvez nem o seja, mas isso para o jogo real da política é o que menos importa.

No Rio Grande trava-se acirrada batalha midiática, aproveitando o fato de que a chamada “classe política” está toda sob suspeita. Não estou acusando necessariamente a ninguém, mas apenas refletindo os efeitos de desencanto quase absoluto após o espetáculo da crise política de 2005. Os que acompanham e fazem política na Província não estão imunes as estes dissabores, muito pelo contrário. Usando de sabedoria no jogo, a oposição local, situação nacional, aposta na ampla desconfiança do eleitorado gaúcho sobre as elites políticas do pago, vistas como “modelo” até pouco tempo atrás. Apontando o olhar da opinião pública através dos descalabros recentes e impunes, como a reserva de vagas em hospitais públicos, a absolvição dos albergueiros, a fraude dos selos e o esquema do Detran-RS. O alvo, , é o governo de turno, e não a correção do sistema e do Estado. Replica na mesma moeda da CPI da Segurança Pública durante o governo de Olívio Dutra. Infelizmente, a meta destas Comissões Parlamentares, tanto no pago como no Planalto, é somente ferir a imagem do adversário circunstancial.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat






« voltar