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ISSN 0033-1983
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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

Operação Mercari: quando o superfaturamento da publicidade do Banrisul de economia mista proporciona uma incômoda visão sistêmica

ijuhy.com

A evidência do dinheiro em espécie, sem origem e exposto sobre uma mesa gera um impacto fulminante. Qualquer semelhança com os efeitos da foto dos aloprados em 2006 e da Operação Lunus em 2002 não é nenhuma coincidência

19 de setembro de 2010, da Vila de Setembrina dos Farrapos traídos por latifundiários e mentirosos midiáticos a omitir a epopéia missioneira e o federalismo artiguista, Bruno Lima Rocha & R da Costa  

O tema de fundo deste artigo vai além da Operação Mercari. Qual o limite da estimativa de custos da produção de um bem intangível? Existe possibilidade de conter a promiscuidade entre agências de publicidade e o loteamento de contas de órgãos estatais? É factível imaginar a mídia comercial estadual sem receber verbas de publicidade do governo da Província? Se isto vier a ocorrer, passará o Executivo do estado a sofrer perseguições sistemáticas? Para aprofundar estas dúvidas e questões, preparamos uma síntese do factual já ocorrido, seguido de uma ironia corporativa e incômodas linhas conclusivas.

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Uma sinopse analítica dos fatos já difundidos

No já distante dia 2 de setembro de 2010, foi divulgada pela Polícia Federal (PF), a investigação que apura o suposto desvio de R$ 10 milhões efetuado pelo setor de marketing do Banrisul nos últimos 18 meses. Entre os envolvidos, foram presos após serem flagrados com R$ 3,4 milhões sem origem identificada, o superintendente de Marketing do banco, Walney Fehlberg, e os representantes das agências de publicidade SLM, Gilson Storke, e DCS, Armando D’Elia Neto. Empresas estas, segundo a investigação da polícia judiciária da União em acordo tipo força-tarefa com o Ministério Público Estadual de Contas, que seriam responsáveis por terceirizar os serviços por preços mais baixos e realizar o crime caracterizado como lavagem de dinheiro.

A operação conhecida como “Mercari”, veio à tona devido denúncia de uma das empresas subcontratadas pelas agências de publicidade SLM e DCS. Vale observar que ambas são associadas (subsidiárias) e pertencem à governança corporativa controlada pelo Grupo WPP; sendo que a SLM, é associada ao Grupo Ogilvy, do qual o WPP também é dono. Este conglomerado corporativo, WPP tem origem na indústria plástica inglesa e, em 1987, comprou a antiga gigante de publicidade e propaganda e relações públicas, J. Walter Thompson Group (Thompson). Com sede em Londres é considerada a maior agência publicitária do mundo, possuindo 2.400 escritórios espalhados em 107 países.

Voltando ao pago, o denunciante teria sido motivado a fazê-la após levar um suposto calote, alegado por uma agência ou pessoa física que, após não ter recebido o valor combinado (sendo este, segundo as autoridades policiais e MP, já abaixo do valor real) pelo serviço prestado (terceirizado, tal e como o esquema apurado com a Operação Rodin). Como não recebera, o contratado decidiu levar a informação até o Ministério Público Estadual de Contas.

No dia 6 de setembro de 2010, um quarto suspeito foi preso. O empresário Davi Antunes de Oliveira, que segundo a PF, era o suposto operador das fraudes. Porém, neste mesmo dia, os três suspeitos pegos em flagrante foram soltos mediante pedido de liberdade provisória do advogado, pois não possuem antecedentes criminais. Poucos dias após, Davi Antunes também fora solto.

Não é difícil supor intenções outras nesta ação criminosa, para além do lucro a todo custo. No mundo em que vivemos, não é exagero imaginar destinação política – ao aplicar os recursos nas campanhas que agora correm – para os recursos suspeitos. Levando em conta o período em que a operação desviou este dinheiro, teremos no calendário os meses de pré-campanha e campanha. A partir daí, diante da falta de provas materiais (uma vez que a imprensa comercial gaúcha não fuça quando o tem de fazer) o tipo de afirmação de nossa parte já implicaria um aborrecimento jurídico.


Seria uma ironia da matriz? Qual o limite dos recursos de linguagem para a ampliação dos espaços de mercado na sociedade?

Não é exagero afirmar estarmos vivendo no RS em particular (mas na política brasileira em geral), um período de absoluto hiper-realismo, onde réus são vítimas e as evidências são todas contestadas desde os seus procedimentos jurídicos até a produção do fato jornalístico. Concordamos com esta idéia central e queremos aprofundá-la. Buscando demonstrar a dimensão do hiper-realismo em que vivemos, deixamos este libelo de governança corporativa, encontrado no portal da WPP (matriz das agências associadas gaúchas), onde constaria, pelos “rigores” do gerencialismo, a filosofia da empresa. Eis o texto público e de difusão mundial:

Como nós nos comportamos
A WPP e suas companhias operacionais têm como seus valores constitutivos a honestidade, integridade e respeito por pessoas. Estes valores essenciais determinam o modo nós compreendemos o negócio e eles definem os princípios nos quais nós esperamos que nosso pessoal atue na conduta de nosso negócio.

(original em inglês, direto deste hiperlink: How we behave
WPP and its operating companies have as their core values honesty, integrity and respect for people. These core values determine the way we approach business and they define the principles in which we expect our people to behave in the conduct of our business
.)

Já a Ogilvy, subsidiária com grau de independência e apresentada como outra marca corporativa, é um conglomerado em escala mundial detentor de contas de PP e de RP. Podemos destacar que esta empresa tem o mérito de obter a conta da BP (British Petroleum), a companhia petrolífera responsável pelo maior desastre ambiental da história das Américas. Além disso, seu fundador, David Ogilvy, é um dos referentes vivos da moderna publicidade.

Assim, se a Operação Mercari não tivesse ocorrido em Porto Alegre, poderia tranquilamente ser parte de um enredo de thriller de espionagem em busca de mais alguma (porque sempre tem outra e mais outra) trama e conspiração de conglomerados corporativos transnacionais. Realmente a forma mercadoria expande-se em período pós-queda do Muro de Berlim em escala absurda. A incidência destas empresas é tamanha que chega ao pago, operando com duas associadas sob grave acusação da PF e do MP de contas.


Apontando conclusões

Infelizmente, não será a primeira e nem a última ocasião em que leremos estarrecidos informações e abordagens jurídico-policiais transformados em fatos políticos através de difusão midiática. E esta abordagem, a leitura acusatória através de reportagens, sempre será branda e omitindo informações de tipo fontes abertas. Com dez minutos de pesquisa descobre-se que, dentre os clientes da DCS (tendo a página da agência como fonte), além do próprio Banrisul, estão a RBSTV e a TVCOM, ambas as empresas subsidiárias do chamado Grupo RBS (ver o link do domínio da agência, clicando em clientes). Pedimos que os hipotéticos leitores e críticos notem que aqui não fazemos ilação “irresponsável” alguma, apenas constatamos algo que a maioria dos mortais rio-grandenses ignoram. Um sub-lide poderia ser: “...uma das agências envolvidas tem as contas de potências da economia e da mídia gaúcha, tais como as seguintes televisões....”. Este texto não foi escrito e possivelmente não será e nem nada parecido irá ser publicado enquanto não mudar a correlação de forças, na balança que hoje pende (e muito) para a mídia capitalista.

Mesmo com esta constatação, até aí nenhuma novidade diante da participação cruzada de capitais, de acertos de tipo empresarial corporativo e a eterna presença do financiamento do Estado (como detentor dos bens e riquezas da res publica) na história. Afinal, as campanhas de marketing, publicidade e relações públicas do Banco do Estado do Rio Grande do Sul tinham como beneficiários indiretos os canais privados que recebem polpudas verbas publicitárias, chegando a financiar telejornais em rede estadual. Na lista de beneficiários das verbas da Superintendência de Marketing subordinada a Diretoria de Gestão da Informação e Marketing, incluem-se dezenas de blogs e publicações eletrônicas, além das revistas empresariais peleando entre si para ver quem consegue estar ainda mais à direita do que as mídias integradas controladas pela família Sirostky, afiliada do conglomerado da família Marinho.

O que enlouquece qualquer um com um mínimo de sagacidade é ver que o modelo de loteamento do Estado através da contratação de produtores de bens simbólicos na forma publicitária vai continuar independente de quem assuma o Piratini (ao menos entre os três favoritos). O Banrisul, que por sinal é uma empresa de economia mista (tal e qual a Petrobrás), deveria preocupar-se em financiar a produção gaúcha (como a agricultura camponesa e familiar), cortar a mamata eterna de tipo Fundopem e, de forma orgânica e vinculada aos sindicatos bancários, forçar a Famurs e as demais entidades municipalistas a não mais permitir que nenhum município do RS tenha a desfaçatez de vender a sua folha de pagamento!

Entrando nesta seara, alguém já notou que este tema é proibido na campanha? E por que será? Por ter alcance universal talvez, uma vez que todos os coligados dos três primeiros colocados em pesquisas eleitorais (Tarso, Yeda e Fogaça), atuam em administrações municipais obedecendo as mais estapafúrdias alianças de governo (reforçando a linha conceitual tal e como afirmamos em artigo anterior com o título “A agonia do subsistema político gaúcho e a disputa pelo segundo lugar.”). Ao ignorar este tema, estaremos diante do silêncio da idéia pré-pronta, como diz magistralmente o libertário Noam Chomsky?|! Acreditamos que sim, sendo este o mesmo silêncio cúmplice no item empréstimo junto ao Banco Mundial e, conseqüentemente, o mais que draconiano contrato assinado pelos neoliberais por agora ainda no Centro Administrativo e no Piratini.

Voltando às inversões de prioridades e os gastos com PP e eventos do Banrisul, é preciso pôr muita, mas muita atenção nos municípios. A última fronteira do sindicalismo público (na organização de municipários) é também uma fonte enorme de possibilidades para os administradores de fundos de pensão privados e para os bancos comerciais. Diante disso, a atual diretoria (incluindo seu ex-presidente por quase dois governos, Fernando Lemos) pouco ou nada fala, menos ainda o Executivo do estado. Se falassem, até poderiam alegar estar entre a cruz e a espada. Caso não sejam liberadas verbas de publicidade, vão apanhar da mídia estadual. Já estas campanhas, sob vigilância da PF e denúncias midiáticas do quase ex-vice-governador Paulo Afonso Feijó (DEM, ex-presidente da Federasul), estarão a partir de agora e por um largo tempo, sob suspeita de superfaturamento.

Que belo exemplo de transparência e governança corporativa!


Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU)






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