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Análise do debate dos presidenciáveis na Record, 19 de outubro de 2014, por Bruno Lima Rocha

record

Dilma e Aécio no embate em rede nacional da Record

Dilma tenta embretar Aécio na questão tributária, mas esta fala de ambos, que é consensual - pagamos impostos em cascata e estes incidem sobre o custo do emprego direto. O problema é conseguir ampliar a escala da arrecadação sem aumentar a carga. Ao mesmo tempo, a União tem de faturar, tanto para o bem, assegurando a política distributiva, mas também para rolar a dívida e gerar o ganho dos rentistas. Dilma teria de levantar o tema da geração de emprego direto X o regime de caixa do neoliberalismo. Começou manso o debate e na última fala o Aécio leva.

 

Obs: esta balela de credibilidade da economia brasileira é um absurdo. Tivemos um nível altíssimo de investimento direto nos últimos anos.

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O governo Dilma, herdeiro de Lula, deixou de modificar estruturalmente a segurança pública no Brasil quando, em 2003, não levou adiante a promessa de mudança la lei orgânica da PF, acabando com o IPL e separando a carreira jurídica da carreira policial. Quem achar que exagero, leia o site da Fenapef. O modelo brasileiro é levar a segurança pública ostensiva entre duas polícias, sendo que a Judiciária (a Civil), acaba operando ostensivamente também. As entrelinhas do debate são a capacidade de governar, e isso seria o equivalente a assegurar o crescimento do PIB. Outro conceito equivocado, como nos explica o professor Ladislau Dowbor. A pauta da segurança pública e o perfil das mortes violentas apontam para o racismo estrutural brasileiro. Ninguém fala o óbvio, porquê?

 

Flexibilização dos direitos trabalhistas, quebrar a CLT na sua essência é desproteger a mão de obra e desregular o trabalho formal. Dilma bate bem? Aécio se esquiva de responder pelo modelo neoliberal; Aécio foi do Centrão da Constituinte, mas como base de FHC, tinha de tentar quebrar o poder da mão de obra. Agora aponta a aliança com o SDD de Paulinho da Força. É bem feito para o lulismo, governou com a Força e agora amarga a traição evidente. Ah memória, quem começou a militar nos anos '80 lembra dos pegas com a CGT. Quem foi militante na Era Collor lembra de Medeiros, Magri e o "sindicalismo de resultado". Agora, após 12 anos, a classe trabalhadora tem de aturar uma elite pelega multifacetada. O emprego não gerou aumento da sindicalização. Ponto para Dilma, mas ponto de menos para a CUT. Ano que vem vai ter lei das terceirizações e normatização das greves dos servidores públicos. Ponto para Dilma de novo, vejamos a tréplica. Aécio aponta para o "presente", diz que foi circunstancial o desemprego dos 8 anos de FHC. Esta parte Aécio perdeu.

 

Tem pleno emprego, logo há pouco espaço para a expansão do emprego de baixos salários... Inflação, centro da meta, pauta tucana que Lula manteve, agora atura. Aécio traz o exemplo do Chile, será que Dilma vai rebater - PONTO, taxa de desemprego baixo, finalmente o Lulismo crava no acerto. Inflação descontrolada é o medo da hiperinflação; esse fantasma é recorrente. 3% de inflação é perda de direitos básicos e taxa altíssima de juros. Ponto para Dilma. Bota o Armínio na campanha que o fantasma aparece. Muito bom.

 

Aécio faz o elogio da Aliança do Pacífico, elogio ao Peru e ao Chile é absurdo, agora é o México, cuja liquidez se dá em cima do narcotráfico. Dilma pode rebater e bem. Bom, plantar inflação para colher juros, bom. Aula de keynesianismo (se eu fosse de direita apoiava este governo!); boa comparação com o Chile, que vive de vender matéria-prima até hoje. O tamanho do Brasil X o FMI, ponto para o Lulismo.

 

Fome, distribuição de renda. Mas, agora sou eu, o Pronaf não basta, o MDA não basta, este governo fez a opção preferencial pelo agronegócio. Memória do Plano Real X Desemprego e pressão rentista. Levantar a hipótese de que os números são falhos é um bom ataque do Aécio. "Contaminação" X ideologização; fantasma dos neo-neo, mas Aécio bate bem. Acusa o PT de aparelhar o Estado, sabendo que este chavão pega. A outra direita (a neo-neo) está perdendo este debate, ao menos até agora. Entrega com inflação acima da meta (gestão Malan e Fraga) e rebaixamento da inflação por parte do lulismo. Boa comparação; pena que se gasta em um ponto e meio de Selic todo um ano de Bolsa Família. Aécio rebate bem, insinuando que fará dos programas sociais - e dá uma ironizada - uma política de Estado. Pactuou com Marina e deve levar estes votos. Aécio quase empata ao final.

 

Aécio traz a Petrobrás e apresenta o reconhecimento de que houve desvios na estatal. Ela vai atacar de Sérgio Guerra? Pegou João Vaccari Neto e recebeu a imagem de Sérgio Guerra. Acertei. Dilma rebate bem. Quanto foi e para quem foi - ela continua falando mal - mas com bom conteúdo (dúvida estética cruel).

 

Dilma rebate com o Engavetador Geral da República: Sivam, Pasta Rosa, PEC da Reeleição, Metrô de São Paulo e cia. Porque ela não falou da Telebrás? Porque não afirmou o Grampo do BNDES? Aécio continua rindo....tem razão, porque novamente o tesoureiro do partido de governo (PT) se vê involucrado em esquema semelhante ao do Mensalão. O fantasma da corrupção estrutural e do salve-se quem puder, o aparelho de Estado sempre sofre como alvo. Sérgio Guerra novamente aparece, essa conta os tucanos vão pagar. Lula transferiu o perito da CPI do Banestado - bem feito, bem feito, podia cortar a cabeça do esquema do DEM e engavetaram a CPI em 2003.

 

Ataque duro de Dilma, trazendo a memória dos descalabros de FHC. Ri de novo, ironiza e Aécio contra-ataca de institucionalista. É por isso que quebro o pau na ciência política, fórmulas mágicas não resolvem. Novamente o aparelho de Estado é visto como um mal diante dos milagres "técnicos". Este discurso pega. Governança é vista como pulso firme e acompanhamento; pena que ninguém lembra do que vou postar abaixo.

 

O doleiro Alberto Youssef era alvo de investigação no caso do Banestado. Porque não pegaram de jeito na época? Pois é, e onde anda o Toninho da Barcelona? Viram como é recorrente?

 

A CPMF foi derrubada pela oposição, mas em acórdão no Congresso todos mantiveram a DRU, que crava 20% das receitas líquidas para serem contingenciadas. Curioso que ninguém fala isso, certo? Voltando ao debate, o Mais Médicos é vergonhoso na remuneração dos trabalhadores de saúde, mas garante apelo eleitoral. O ponto dos recursos do petróleo é central, se seguir por aí, o lulismo ganha. Bem feito, bem feito, onde foi governo estadual dificilmente foi aplicado o recurso legal na Saúde e também na Educação. Voltando ao tema de Minas, o MP está contra a gestão de Aécio, mas se fosse para pegar todos os governos sub-nacionais por prevaricar - não aplicando o total constitucional na Saúde e na Educação - não ia caber gente na cadeia. Mesmo catando as palavras, Dilma se saiu melhor neste bloco.

 

Petrobrás, gestão. Aécio traz o fantasma da falência da empresa brasileira de capital misto. Bom ataque: mas o tema do aparelhamento trouxe de volta a liquidação de 30% das ações da empresa (qq semelhança com a abertura de ações do Banrisul não é nenhuma coincidência); mas a chamada de ações públicas da empresa realmente levou uma corrida dos pensionistas para investirem na empresa. Claro, com as reservas do Pré-Sal, a Petrobrás é o ouro negro em si. No modelo de partilha sem as prerrogativas impostas pelo lulismo o Brasil seria lesado, certo que sim. Óbvio que o ideal - dentro do sistema - seria uma coordenação com YPF e PDVSA e não chamando TNCs outras. Mas, o Leilão de Libra foi um sucesso econômico. Será que os trabalhadores de carreira da Petrobrás serão realmente valorizados ao invés de CCs e loteamento com os oligarcas de sempre? Seria legal ver a palavra da Frente Nacional de Petroleiros. Dilma ganha o ponto.

 

Segurança e controle integrado como na Copa. Preparem seus corações, vem aí emenda constitucional caso tenhamos o 2o governo Dilma. O problema é que o lulismo entregou por um período a Sec. Nac. de Seg. Pública para o filho do Tuma! E agora reclama; Aécio vai liberar os recursos sem contingenciamento, quero ver quando a PF começar a morder, morder de verdade. Não vou entrar na pauta da segurança, mas ressalto que Aécio vai apontar para a redução da maioridade e insinua uma proximidade com os vizinhos cocaleros, incluindo o Peru, antes elogiado na sua participação da Aliança do Pacífico. Os jovens que morrem no Brasil são vítimas do racismo estrutural também, de novo, o tema passa em branco.

 

Esta pauta Aécio leva. Até porque o debate da segurança não é pautado pela racionalidade e sim pelos preconceitos da radicalidade de direita (aí todos se encontram). Bem feito para o Lulismo.

 

Bancos Estatais - bancos "públicos". Ai ai, dessa vez não tem como Aécio levar. Tem de aparecer o Ricardo Sérgio de Oliveira. Neste item, me lembro do debate de Armínio Fraga na Globonews. Tem de reduzir mesmo, senão vai contra a base de pensamento do neoliberalismo. Agora é keynesianismo na veia, o BNDES é o 3o banco de fomento do mundo. Banco do Brasil se responsabiliza pelo agro (exportador) e a CEF é o atual BNH. Não devia ter entrado nesta pauta, o Estado nacional resolve, se ela falasse um pouco melhor....Aécio se dirige aos servidores de carreira dos bancos estatais; serão geridos tecnicamente pelos filiados da Escola de Chicago. Triste constatação: ou temos corrupção de oligarcas vivendo um pouco melhor, ou temos tecnificação dos neo-neo dizendo que a técnica supera a política (quanta bobagem!). Esta pauta deveria ter sido evitada pelos tucanos.

 

Escolas técnicas, pauta perfeita para o país cujos empregos majoritários têm em torno de 2 salários mínimos. Aécio traz a o tema da rede social, tipo parceria PPPs - mas na prática a Era FHC acabou com a forma de operação dos CEFETs; tinha era de voltar os 4 anos de ensino médio técnico. O tema da eficiência é a zona de conforto de Aécio; Dilma ganha o debate das escolas técnicas, em conteúdo e escala. Aécio ironiza para evitar o confronto, traz o discurso da eficiência e do institucionalismo, traz a essência da administração pública. Mas, recordo, o desenho de Estado do lulismo para FHC é estruturalmente distinta. Neste ponto Aécio perdeu.

 

Educação, pauta que o lulismo ganha de longe. Lá vem o Prouni e a fidelização dos que recebem estes fundos, assim como a expansão do FIES (e isto inclui também os investidores da educação superior, que nunca antes na história deste país recebera tanta carga de $ do Estado). Aécio vai voltar o debate para o ensino fundamental e a pré-escola, mas é via repasse, via Fundeb e outros repasses. Não vai levar esta pauta, ai ai, Nova Escola Brasileira, ensino integral, e como fechar a conta? Vai sair meritocracia na avaliação de professores - empoderando os estudantes para retalharem adultos que têm na sala de aula seu ganha pão. Grêmio Estudantil é que empodera secundarista. Ranking da educação é certo; mas o ensino superior brasileiro passou miséria no período FHC. Dilma acerta, vai pela fórmula sul-coreana. Salva a pauta através das atribuições dos municípios e ataca de Prouni. Ponto para Dilma. Ironia de Aécio pega mal, vai aumentar a rejeição nas classes mais baixas. Saneamento é pauta correta por Aécio, acertou. Mas, na educação perdeu.

 

Infra-estrutura é ponto para os tucanos. PPPs é privatização com grife. Bem feito, quem mandou recuar na pauta - vejam as 4 irmãs no link da Agência Pública abaixo. Seguindo aqui, Dilma saiu-se bem, Pólo Naval é acerto do keynesianismo tardio, e com isso também tivemos Belo Monte e Jirau (os povos originários e ribeirinhos sempre pagam a conta, junto dos quilombolas). Dilma leva a pauta da infra-estrutura, mas perde o tempo da última frase. Toda a agenda do desenvolvimento a todo custo passa pela ampliação da infra-estrutura no país. O trem bala é ponto para Aécio: não deveria falar da Refinaria de Abreu e Lima, pois isto atinge a memória de Eduardo Campos, cuja família é aliada de Aécio. Dilma rebate bem, levanta a bola para ser chutada na web - com o "centro administrativo" de Minas. A Era tucana foi pífia no investimento, esta pauta sempre leva. Agora acabou o manto da "esquerda". Todos defendem as PPPs, depois eu que pego no pé do partido de governo... Dilma ganhou o ponto, mas perdeu o tempo de fala.

           

Dilma encerra o seu melhor debate. Aponta dois projetos e divide os interesses. Crescimento e emprego direto dependem da intervenção do Estado na economia capitalista para distribuir riqueza sem alterar a ordem social. Agrega ao discurso individualista e o papel do governo, do Poder Executivo; encerra bem.

           

Aécio finaliza e aponta dois projetos, faz um apelo publicitário, aponta para o futuro (apela para a Aliança do Pacífico) e traz o fantasma da inflação. O discurso é de avançada, tipo maré tucana, tentando ultrapassar a clivagem neo-neo. Discurso moralista (com razão, embora tenha o Mensalão do PSDB mineiro); discurso do desenvolvimento, mas sem demarcar campos específicos. Apela para a emoção popular e a fala conservadora. Tem vaia e aplauso, tentam sobressair os xingamentos ao som de fundo.

           

Sinceramente, voto em Zumbi e Sepé, mas acho que a candidata da coalizão de centro-direita superou sua péssima oratória e ganhou este debate; não foi goleada, mas ganhou.

 






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