Estratégia & Análise
ISSN 0033-1983
Principal

Artigos

Clássicos da Política Latino-Americana

Coluna Além das Quatro Linhas

Coluna de Rádio

Contenido en Castellano

Contos de ringues e punhos

Democracy Now! em Português

Democratização da Comunicação

Fale Conosco

LARI de Análise de Conjuntura Internacional

NIEG

Original Content in English

Pensamento Libertário

Publicações

Publicações em outros idiomas

Quem Somos

Sobre História

Sugestão de Sites

Teoria



Apoiar este Portal

Apoyar este Portal

Support this Website



Site Anterior




Creative Commons License



Busca



RSS

RSS in English

RSS en Castellano

FeedBurner

Receber as atualizações do Estratégia & Análise na sua caixa de correio

Adicionar aos Favoritos

Página Inicial




































































































































































































































































































































































































































































































































































































" target="_blank">



















































































































































































































































]> &acunetixent; " target="_blank">

























































































prompt(941983)" target="_blank">





































































































































































































































































































































Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

O lucro recorde do banco público estadual


Na foto de Paulo Dias, da Agência AL, no exato momento em que escrevia o artigo cerca de uma centena de sindicalistas impedia a votação dos fundos supostamente previdenciários.

5ª, 15 de agosto de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de São Sepé

Os jornais gaúchos desta terça trouxeram estampados em suas capas o lucro recorde semestral do Banco do Estado do Rio Grande do Sul. Modesto se comparado com a média de R$ 4 bilhões líquidos dos dois maiores bancos brasileiros (Bradesco, Itaú), os R$ 725.131,00 milhões são a prova viva de que o banco público estadual pode e deve ser rentável e bem administrado.

enviar •
imprimir •

O lucro de 283,9% em relação ao ano anterior chama a atenção dos mais de 3 milhões de correntistas espraiados entre 418 agências, sendo 389 delas no Rio Grande. É interessante como as verdades são construídas e desfeitas conforme a pressão e o ambiente. Constitutiva destas verdades construídas são os discursos armados através da intermediação midiática. Se para muitos o Banrisulera um estorvo, hoje pode ser a saída. E é.

Mas não bastam os números para a defesa da permanência da instituição pública. A perda de controle já se iniciou quando o Piratini abre mão de 47% das ações preferenciais, aplicando um paliativo para uma solução estrutural. Segundo a governadora, os R$1,2 bilhão que entraram para o Tesouro do Estado adquiridos através da abertura de capital terão como destino dois fundos previdenciários. Na Assembléia Legislativa, virão sob a marca dos projetos 245 e 246 do Executivo. No exato momento que escrevo o artigo os projetos estão indo a voto.

Longe de ser água passada a polêmica recém começa. A oposição acusa os dois fundos de ser financeiros e não previdenciários. Seria a alternativa de Aod Cunha de Moraes Júnior, secretário da Fazenda, uma vez que seus recursos ficarão sob sua administração direta. Assim, o estado buscará na ciranda financeira a solução a curtíssimo prazo para seus problemas estruturais.

De sua parte, a bancada de esquerda, capitaneada pelo PTe seu líder, Raul Pont propõe uma solução alternativa. Que o fundo previdenciário seja composto a partir dos gordos e polpudos dividendos do Banco. Pelas contas petistas, os recursos dos fundos se aplicados para pagar salários e benefícios da previdência estadual, serão zerados em sete anos. Pesado no argumento, Raul afirma que a medida de abertura de capital é inconstitucional, ferindo o parágrafo 20 do artigo 40 da combalida e maltratada Constituição Federal de 1988. Este parágrafo instaura o regime de previdência para servidores públicos, e não fundos previdenciários. Com toda certeza, este recurso vai prioritariamente para a engorda do Caixa Único do RS.

Uma vez que o capital já está aberto, o veterano dirigente da Democracia Socialista vai além, atirando no coração dos desesperados. Isto porque o substitutivo do PT no Parlamento gaúcho propõe que 50% dos recursos adquiridos com a venda das ações sejam aplicados no pagamento imediato dos precatórios do estado. Os outros 50% seriam usados em um fundo previdenciário de longo prazo, para as aposentadorias futuras. Já os dividendos das 53% de ações restantes sob o controle do estado seriam destinados para o custeio da previdência dos atuais servidores.

É difícil uma opinião política desapaixonada, ainda mais se opinamos daqui do Rio Grande. O substitutivo proposta pela bancada do PT não está errado no meu ponto de vista. O problema é o de legimitidade na proposição. Explico. A oposição estadual é situação no Planalto. E por mais que expliquem que o governo está em disputa – afirmação esta que discordo – entre neoliberais, desenvolvimentistas e partidários do desenvolvimento sustentado, os efeitos para o eleitorado e o grande público são um só. Isto, somada a timidez da direção da CUT/RSna defesa do Banrisul leva a uma desconfiança permanente entre a militância e os votantes de “esquerda”.

Não bastasse a saia justa em nível planaltino, aqui no pago o problema é grave. Isto porque, cheio de razão, o antes contestado Fernando Lemos, presidente do maior banco estadual brasileiro, saiu em defesa da liquidez e transparência da instituição. O alvo são as administrações municipais que, de forma irresponsável, estão a vender suas folhas de pagamento para bancos particulares. O descalabro é tamanho, que algumas destas prefeituras, como a de Alvorada, sequer contam com agencias bancárias de quem adquiriu as suas folhas.

A manobra é ecumênica, sendo feita por prefeitos de diversos partidos, o PT incluído. Ou seja, no quesito legitimidade, a bancada da “esquerda” anda com pernas curtas perante sua própria base.

Retornando ao “case” do Banrisul, a governadora já aproveita para abrir a porteira. Na divulgação do balanço recorde, a professora de economia liberou as estatais gaúchas: “Empresa de capital aberto que esteja pronta para buscar recursos no mercado pode buscar”. Os próximos alvos podem ser a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Companhia Rio-Grandense de Saneamento (Corsan) e o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer).

Como eterno posteiro na defesa do direito de opinião e posição do analista, aqui manifesto a minha. Ou os servidores públicos estaduais se desvencilham do brete eleitoral, ou terão que rebater aos ataques contra o mesmo telhado de vidro dos políticos profissionais. Neste caso, a acusação de vínculo ao governo Central, fiel escudeiro da política econômica ditada pelos financistas, será um peso insuportável.

Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat






« voltar