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ISSN 0033-1983
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Artigos •
Para jornais, revistas e outras mídias •

A fina equação do crescimento no longo prazo

culturamix

Um exemplo de política pública destinada ao crescimento econômico seria termos laboratórios de química funcionando - e bem – por cada escola pública brasileira. Em vinte anos teríamos a base humana para um avanço científico sem precedentes.

12 de janeiro de 2012, da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha

Aqui encerro a trilogia (publicada no Noblat) a respeito do crescimento econômico brasileiro na última década, tecendo uma crítica por esquerda através de preceitos da economia política. Terminei o último artigo afirmando o óbvio: o abismo social ainda supera a capacidade de gerar riqueza e distribuí-la, dentro de uma sociedade capitalista. Teríamos dois desafios quase consensuais no país. Um deles é a erradicação da extrema pobreza. Outro é a garantia da mobilidade social e o ingresso de milhões no sistema de amparo legal e produção econômica.

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O primeiro é mais simples, ao menos de visualizá-lo. As políticas de renda mínima, inauguradas pelo primeiro governo social-democrata da Suécia (ainda nos anos ’30 do século XX), como um combate ao pauperismo que atravessava aquela sociedade, costumam ser efetivas. Os dados do Brasil nos últimos dez anos comprovam a eficiência de distribuir o mínimo e assegurar um compromisso de manter os dependentes dentro da rede do Estado de assistência mínima. Seria um absurdo negar esta realização do atual governo (continuidade de oito anos com Lula) e os benefícios advindos para o Brasil como um todo. Ao mesmo tempo, constata-se que a assistência é o passo de largada, e não de chegada para outro patamar de vida.

Ao contrário do que aparenta a educação formal também não assegura necessariamente um posto de trabalho no mundo da produção. Basta observar o desespero dos jovens árabes antes de sua Primavera, quanto tinham governos corruptos, ditatoriais e pró-Israel, ao mesmo tempo em que o bom nível escolar mal dava para o subemprego. O espaço no mundo da produção está correlacionado com duas variáveis. A primeira implica nas escolhas e estratégias de crescimento macro-econômico de um país, e também de sua política monetária. E, como conseqüência, a necessária educação formal, iniciando com um aumento da capacidade de aprendizado e cognição mediana da população até chegarmos às ciências de base, fonte inesgotável para o avanço científico (e deste para o tecnológico).

Nada disso é novidade, bastando uma leitura atenta de Celso Furtado para melhor interpretar a questão. Esta fina equação entre decisões de Estado, e políticas públicas com projeção de efeitos de agora a vinte anos, deveria pautar a agenda nacional. Ao contrário do que afirmam os mandamentos de economistas neoclássicos, este não é um problema de demanda perfeita e sim de relações de poder sobre uma estrutura social-produtiva. Como toda disputa em sociedade, sua solução é política.

Este artigo foi originalmente publicado no blog do jornalista Ricardo Noblat






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