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Para jornais, revistas e outras mídias •

As quatro frentes do PMDB


Renan e Sarney articulam com o antigo opositor do regime militar, a cooptação da extinta legenda legal contra a ditadura, hoje chamado PMDB. Qual ala vencerá a pugna interna?

Viamão/RS, 7 de março de 2006

O ano eleitoral, que começou quente no período pré-carnavalesco, inicia sua vida útil em março prometendo ser tórrido. O que este artigo quer discutir não é o termostato da campanha política, mas sim o instrumento político em uso. O jogo de competição eleitoral compreende um intermediário entre vontades e possibilidades. Estamos falando de partidos políticos.

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Neste texto, abordamos a própria idéia de partido caracterizada pelo PMDB. Vamos ser francos e justos. As características ressaltadas pela mídia especializada não são exclusividade do Partido pelo Movimento Democrático Brasileiro. Mas, a legenda de Ulysses Guimarães e Pedro Simon se esmera dia a dia para ser cada vez mais incongruente e inorgânica.

Seria uma redundância fazer uma listagem das contradições e pugnas internas, que atravessam o dia a dia dessa legenda. Mas sempre é bom lembrar o fato de que arenistas como José Sarney e Antônio Delfim Netto, hoje são membros do partido ao qual se opuseram por quase 21 anos. Ainda mais pasmos ficamos, ao lembrarmos da trajetória política de Renan Calheiros, oriundo do grupo de Collor de Mello, ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso e hoje um dos sustentáculos do governo do ex-metalúrgico Luiz Inácio.

Um curioso, leigo, militante ou leitor da área de política se espantará ao comparar desempenhos, estilos, trajetórias e programas de governo deste “partido” nos estados onde exerce mandato. Mais enlouquecido ficará, se comparar especificamente a forma de governar de um neófito na legenda, o ex-radialista Antônio “Garotinho” Matheus de Oliveira e Germano Rigotto. Se ousar fazer um breve exercício de comparação de desempenho destes dois políticos profissionais, sendo Garotinho é eminência parda de sua esposa, com o exercício de governo do mesmo partido no Paraná, sob o comando de Roberto Requião, então, definitivamente, perderá qualquer padrão comparativo.

Estamos falando de comparação de exercício de governo e não em desempenho e conduta parlamentar. Se entrarmos neste mérito, aí sim, veremos uma bancada rachada, onde o presidente Michel Temer não responde por seus ministros no governo, onde ele próprio está na oposição. Este analista ainda teima ter como critério de análise comparativa, o quesito coerência interna. A coerência se constrói, tendo como estatuto a capacidade de coesão orgânica e os aspectos disciplinares, baixados através de coerção. Em uma organização política onde ninguém é punido e cujo diretório e executiva não respondem por seus filiados, o que se pode esperar?

Esta legenda, símbolo vivo da engenharia política do regime militar e do gênio de Golbery do Couto e Silva, ainda é o maior partido do Brasil. Como esperar um comportamento político compatível com as expectativas da população brasileira?! Isto é simplesmente impossível, ficando o eleitorado entregue às artimanhas palacianas e congressuais.

Ao invés de demonizar o PMDB, o que este artigo pretende é torná-lo uma tipificação. Não é de hoje que a legenda é estudada, e vem acumulando uma larga coleção de adjetivos e conceitos. “Partido-barca, partido-ônibus, partido-frente” dentre outros. Independente dos preconceitos embutidos nestas adjetivações, algumas considerações são necessárias.

A primeira é que o partido como tal não é dotado de disciplina partidária. E, por mais anômalo que seja, tampouco é dotado de mecanismos de democracia devidamente institucionalizados. Se tal não fosse, as prévias já estariam asseguradas há muito. A consulta interna, se acompanhada de cláusulas de barreira, dificilmente permitiria a um neófito com ares de aventureiro, ser elevado à condição de pré-candidato a presidente como é o caso de Garotinho. Repetindo o conceito, se os critérios fossem relacionados a organicidade, trajetória interna e conduta dentro da legenda, a candidatura própria teria de ser de Germano Rigotto.

Mesmo com todas as críticas que possamos fazer, vivendo em um estado onde o índice de IDH mais elevado do país não impede o crescimento das desigualdades sociais e o favorecimento de grandes grupos econômicos; um partido com formato disciplinado e coerente teria de escolher a Rigotto. Se o dentista caxiense emplacaria ou não é outro assunto, mas que o político gaúcho encarna as virtudes e mazelas do PMDB, isso é inegável.

No momento este partido nacional com lealdades estaduais está rachado em quatro. Uma parte embarca na aventura neo-pentecostal de Antônio Matheus; outra se alia nos bastidores a candidatura tucana sendo preferencialmente a de José Serra; outra ala historicamente rachada entre si tenta unificar-se com o nome de Rigotto; e outros, chamados de governistas, se aliam a Lula. Dentre estes últimos, além de Renan, Sarney e Delfim encontra-se o “líder do governo” em um STF à la Carlos Saúl Menem. Falamos do jurista gaúcho, ideologicamente governista assim como Severino Cavalcanti. Nelson Jobim, vinculado ao antigo MDB do Rio Grande, ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique ainda em seu primeiro mandato, premiado pelo mesmo com a vaga no Supremo e que com a posse de Lula vira a casaca, alinhando-se com a nova trupe a ocupar o Planalto.

Com o TSE barrando a quebra da verticalização, caberá a Jobim buscar convencer seus pares do Supremo da importância do Brasil assumir ou não a incoerência política como virtude. Isto a julgar pelo casuísmo que aprovara a mesma norma em 2002, sendo que agora o casuísmo aponta para o fim da regra. Da quebra da verticalização depende a própria legenda, na qual o natural de Santa Maria da Boca do Monte é vinculado. Por “coincidência”, a mudança da regra também é muito útil para à reeleição de Lula.

Como observamos ao longo destes breves e sucintos apontamentos, a importância do partido de Orestes Quércia, Geddel Vieira Lima, Eliseu Padilha, José Borba e Garibaldi Alves, dentre outros atores relevantes, é enorme. Esta legenda tanto pode ter um neófito como um orgânico para candidato a presidente. Independente disso, ainda não se sabe se haverá ou não candidato próprio. E mesmo que este saia, concorrerá internamente contra governistas e aliados dos tucanos. Como se vê, o partido é tão grande que chega a ter quatro frentes simultâneas, todas com alguma chance de sucesso.

Se levarmos em conta que o perfil do PMDB, embora exageradamente contraditório, seja a norma real e não a exceção, só nos resta uma conclusão. Triste a democracia cuja regra é a incoerência e onde os projetos de poder pouco passam de disputas por cargos e recursos.

Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat






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